Monday, February 02, 2009

Day by day, Gothan Sampa


Day by Day,Gothan Sampa, maio de 08 ( Póstumo)

Fui dormir triste, estava tão frio que doía minha alma. Pensei em você e na sua cama, suas pernas. Sua casa de mármores tão brancos.branca.branca.
Agora estou só.
Ando triste feito canção do Radiohead. Subi e desci a Nazaré.Nao vou omitir que parei em frente a igreja.Sempre o exacerbado catolicismo ibérico me perseguindo.
Estou tão só que minha arrogância não deixa mais ninguém me amar e nem se aproximar de mim, ‘só falo comigo & comigo’.
Subi a Vergueiros em direçao ao metrô e o esgoto corria a céu aberto –a inferno aberto- as ruas como feridas no céu. Borges, sempre Borges nos ouvidos.
Os carros todos parados. Passamos mais tempo no transito do que em casa. A impossibilidade pratica de ser feliz com tantos automóveis. Eles invadiram a simples-cidade.
Essa cidade é um inferno, essa cidade é um inferno.
Ambientes áudio-confusos.Ambientes áudio-confusos.
O metrô lotado, me senti gado novo, nada admirável, sem charme, apesar de meu cachecol gringo.
Na volta os botecos lotados de gente triste e bêbada, tomando cachaça com suas miseráveis moedas.Me pergunto onde Deus está nessas horas.é uma pena que não exista mesmo um deus, eu ando a procura dele desde os 9 anos de idade.bebi também apesar do esgoto a céu aberto...precisava me conectar com aqueles perdedores e só o álcool conseguiria isso.Aqui é o fim do mundo.Os carros todos parados.Uma multidão parada na Sé enquanto o metrô seguia sem parar, lotado.
Lembro da sua casa e de suas escadas de mármore, o cheiro de roupa na mala. Zoinhos assim são mais belos que renda branca na sala.
Desci a Cipriano Barata no Ipiranga. Nos fones Dylan e uma frase de Marcuse, sobre ‘o termino do domínio do principio da realidade sobre nós’...sobre minha infelicidade, eu precisava estar nessa cidade? Essa cidade é um inferno. A minha saúde espiritual entre a luta desprazerosa e a felicidade, a raiva racional e o amor racional, como disse Jung.
Estar em movimento.
Saber e estar preparado pra aceitar o amor. Em mão dupla.


Ps: pra Liége que me forneceu as primeiras cobertas e agasalhos quando cheguei no inverno mais frio da década em SP.

Eu amo essa cidade!

Byra Dorneles
www.palavraeletrica.com

1 comment:

Paulo Leminski Neto said...

É incrível, mas São Paulo tira até a vontade de dormir...tira o sono mas também energiza...

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