Saturday, September 26, 2009

Raul Seixas-o cachorro-urubu- vai morrer!!!


Raul Seixas-o cachorro-urubu- vai morrer!!!


Todo jornal que eu leio, me diz que a gente já era, que já não é mais primavera,
Oh babe, a gente ainda nem começou!


Acabei de chegar de um show-festa em homenagem a Raul Seixas pela passagem de seus 20 anos, ausente. Raul nunca foi tão presente como nesses anos pós-morte. Eu não me recordo dele em vida, ali no meio dos anos 80 com tanto falatório em torno de sua obra. Me instiga isso. Quando Raul morreu meu filho e minha mulher não tinham nem 10 anos ainda. Meu filho não conta porque ele ouvia John Coltrane, Sonny Rollins, Paul Mc Cartney e Planet Hemp e algo de funk estadunidence que hoje, eu acho que não tinha preparação didática pra entender aquele inferno.
Jáa minha mulher é retrô por nascença. Conhece mais a musica dos anos 60 do que eu que vivi e ouvi, próximo, Crosby, Still, Nash e Young e Buffallo Springfield. Então eu entendo porque ela passou a ouvir a velharia dos 60 após se deparar com Nirvana e se perguntou de onde vinha todo aquele som.
Eu assisti um show do Raul no meio dos anos 70, acho que Hollywood Rock, no estádio de Remo da lagoa, no Rio, em que ele abriu pro Erasmo e Rita Lee, se não me engano. Ele cantou a metade do show encapuzado, tinha um guitarrista que dirigia com maestria a anarquia alquímica sonora que Raul propunha. Ele fechava o show lendo o manifesto, enorme, da Sociedade Alternativa. Nesse evento ele contava a estória que sempre achei inverossimel de seu encontro com Lennon e Yoko ( com Paulo Coelho) quando fomentavam a criação do pais imaginário, a Nutopia.
Após esse show do Estadio de Remo ele foi levado pro aeroporto, deportado, pela ditadura do Médici. Ele lidava constantemente com essa ameaça da repressao , uma questão de escolha. O cara que não estava acostumado aos códigos pré-estabelecidos. Não se se encaixava em nenhuma forma de organização dentro da MPB standartizada, caricatual ou do Rock B. Ou não. Lógico que seria preterido e ejetado pela clã baiana. ( Vide Sérgio Sampaio)
Novamente- o que me instiga? o que essa geração mais nova procura ou vê em Raul? Uma saída pro marasmo de suas vidas classe media com pão e manteiga?
?Babe, O que houve na França vai mudar nossa dança?
A espera de um mártir (como Cobain e Morrison) que morra sozinho viciado em éter e alcoólatra porque não tinha mais reconhecimento do seu trabalho, tanto pelas gravadoras quanto o seu publico que minguava a todo show? É a eterna espera de um avatar, de um salvador, enquanto todos ficam no poltronismo da TV , dando o valor póstumo ao um cara que morreu sozinho e pobre. Realmente não entendo.
Como disse James Joyce, Raul foi guiado por uma utopia, de esperança,de desespero, comovida, buscando agudamente a transfiguração da linguagem poética, no inicio com Paulo Coelho (sim, o mago!)
Na obsessão com os limites, falando na sua propria lingua -e sendo estrangeiro- que no final os homens dilaceraram porque era inempregável , excluído e sem préstimo ao estado global (da globo) ou a sociedade?

Preste atenção, e dê o devido valor ao cara enquanto vivo, porque Raul vai morrer!!!!

ps: pra Georgete e Raul Miguel, o filho que teremos.

Tuesday, June 30, 2009

Free Freee, Michael Jackson Freee!!!!


Escrevi esse texto alguns anos atras e resolvi republica-lo, por motivos obvios!!!!

Estava lendo sobre Michael Jackson, essas ultimas noticias...e é quase impossível eu falar dele sem falar de mim.Na realidade sou sempre auto-referencia e acabo falando de mim quando vou escrever algo.Detalhe: não sou pedófilo! Estou lendo agora o livro “31 Cançoes” do Nick Hornby e posso garantir que se eu fizesse uma lista teria pelo menos uma musica do Miko. Talvez “I’ll be there” ou “Billy Jean”, não sei.
Temos quase a mesma idade e lembro dele com uns sete anos dançando com os irmãos na TV ... aí eu cresci e parei de ouvi-lo e ele não. Parou de crescer. Criou seu castelo do Peter Pan, a Terra do Nunca Mais, se trancou lá com todos seus sonhos e acreditou neles todos.Imagino a solidão que dever ser sua vida, o contrato de tristeza que assinou com seu sucesso, perpetuamente intoxicado...Conversava com um amigo na praia um dia desses e comentamos: Miko deveria ganhar o Premio Nobel da Paz por todos seus feitos, suas ações, pela sua canção na década de 80, We are the world...você tem noção de quantos mil dólares eles levantaram com isso? Pois é, ninguém lembra disso, querem só comentar o fato dele ser pedófilo e excêntrico e viver o seu mundo. Quantas pessoas brancas vivem torrando no sol e quantos brancos fazem dreads pra parecer negro?...Mas não, Miko não pode operar o nariz e querer ser branco, é proibido porque ele é preto, puro preconceito, cada um faz o que quiser com seu corpo.É proibido proibir. Não tem uns caras que se tatuam todos, até no rosto? Porque MIko, não?
Se é pra criminalizar alguém, prendam todos: comecem pelos pais, que desde a década passada já sabiam desses hábitos infantis do Miko...depois acione as “crianças”...12 anos e não distingue sua sexualidade? Suco de Jesus? Nessa idade eu já sabia bem distinguir um ácido de uma anfetamina!Soube que estão em debates novas leis nos Estados Unidos pra penalizar adolescentes criminosos, não seria esse o caso? Fala sério, desde os 6 anos eu tenho noção de minha sexualidade! Os pais e os meninos estão se aproveitando da fragilidade e poder financeiro de Miko, todos se aproveitaram...ele pagou hospital, curou o câncer do menino, deu de presente um relógio de U$ 75.000 e....
'Não era algo sexual. Dormíamos. Eu os cobria, punha um pouco de música e lia um livro', disse ele ao jornalista. 'Era algo realmente encantador e doce".
No principio, quando o garoto tinha 12 anos isso era bonito, o menino devia achar isso...quando ele conseguiu a grana e atenção que queria e foi discriminado na escola, quando o mundo viu aquele programa de Tv em q ele descreveu isso, e ele já estava com 15 anos, aí não. Michael se aproveitou dele(?)...é óbvio que o menino gostou e é óbvio que Michael dorme com seus amiguinhos e tem uma conduta lasciva com crianças e é óbvio que todos os pais sabem disso e se aproveitam...então o que sobra? Hipocrisia cristã católica e caótica....Michael sofre ataques constantes da imprensa,vítima de perseguição, por ser perdulário e por seus gastos compulsivos de milhões de dólares em lojas de brinquedos e tal, mas o dinheiro é dele, ele não roubou ninguém, simplesmente fez um trabalho impactante na década 80, sua experiencia de pico, acho que foi Triller, sem duvida... e passou anos pesquisando sons e arranjos com o maestro Quincy Jones e vendeu mais de 100 milhões de cds no mundo todo! Ele tem o direito de gastar sua fortuna com o que quiser!
Concluindo: Michael tem que ser respeitado, como um homem ( branco ou preto, não importa sua cor) que está a frente de seu tempo, com sua musica e sua vida. Daqui a 50 anos essas acusações maniqueístas serão motivos de pilhéria, como foi a queima de bruxas na Idade Média. Quando toda a moral cristã falida e reacionária estiver extinguida.
O Principio do prazer.
Deixa o cara viver!
Tem uma canção no disco novo do Lobão que me remete a isso tudo e me faz pensar em como deve ser difícil estar sozinho, não ter amigos e os pais sempre tão distantes:

“Pra mim o mundo é só mais um quarto escuro.”(Lobão)

Saturday, March 14, 2009

Day by Day Março 09


Day by Day, março 09.
Love is real, real is Love ( Lennon)

“ O caráter de um homem é seu demônio”


Liguei a Tv na virada do ano. Assistia há algumas horas e pensei: estou na minha própria língua, meu país, mas sou estrangeiro. Aqui e estrangeiro. Me sinto no direito de sonhar meu próprio pais como Henry Miller sonhou Paris que mexeu com toda uma geração.
A TV, as rádios, a mídia em geral não falam mais a língua que preciso, que sonho. Perdeu a conexão. A conformidade anêmica da Tv. Dos noticiários. Sou estrangeiro, exilado na minha própria rua, no bairro. A cidade de elite global cercada de terceiro mundo por todos os lados. Tudo o que a grande saúde dominante não quis saber. As musicas que escuto estão na contra-mao, nas rádios piratas, nas redes.
O que mais me entristece é o provincianismo (aliado as religiões, e pela mais vergonhosa tutela clerical) a matutice que impregnou todo o pais nesses últimos anos. Houve um tempo no final dos anos 80 em que eu acreditei que algo fosse acontecer, algo grandioso como previu Glauber Rocha. O Brasil não cresceu, pelo contrario, contraiu uma artrite prematura. Uma elite cercada de terceiro mundo por todos os lados. Os excluídos, os inempregáveis, os velhos, os deficientes mentais. Todos. Excluidos. A comunidade dos desiguais.
E eu não faço parte desse homem estatístico, cyber-zumbi, médio, consumidor ideal, esse gado cibernético que pasta nas previsões da TV. Não. Continuo com a idéia de sonhar meu país, insano sonho e talvez suicidario . Sonhar como Henry Miller e Neal Cassady. A minha realidade é um sonho que ainda terei.
Nos anos 80 as coisas estavam se tornando familiares demais... a minha criação e a minha vida controlável – estava acessivel e previsivel demais- e eu saquei que precisava me desorientar. Aí me tornei caçador de novo. Eu estava muito apaixonado e me habituara a ciumosa aflição dos olhos dela . Havia negociado minha comodidade e meu conforto e então reli Nietzsche e Cortazar e joguei tudo pro alto.

Não tenho nada a ver com o futuro!

Estava finalizando esse texto e me deparo com a seguinte noticia na TV:

O arcebispo de Olinda após excomungar os pais e os médicos que fizeram o aborto na menina de 9 anos que foi violentada pelo padrasto, disse que o crime de estupro é menor que o aborto .
( obviamente não excomungou o tal padastro!) e que os médicos fizeram uma escolha de morte com essa ação!!!!

Como dizia Nelson Rodrigues, o Brasil será no futuro maior país não-católico do mundo. Eu sonho com esse dia, em que não tenham mais igrejas e nem religioes.


Sempre é bom re-lembrar o cara, Nietzsche:
“ o que me separa , o que me coloca à parte de todo o resto da humanidade é haver descoberto a moral cristã. Por isso tive a necessidade de fazer uso de uma palavra que mantivesse o sentido de um desafio a cada homem. Não ter aberto os olhos a mais cedo nesse ponto me parece ter sido a grande impureza que a humanidade carrega na consciência, como automistificaçao tornada instinto, como vontade radical de não enxergar nenhum acontecimento, nenhuma causalidade, nenhuma realidade, como falsificação in psychologicis que chega ao crime...a moral cristã- a forma mais maligna da vontade de mentira, a verdadeira Circe da humanidade: aquilo que a deteriorou....
....aquela espécie parasitária de homem, a do sacerdote, que través da moral elevou-se fraudulentamente à definidora dos valores, que na moral cristã divisou o seu meio de alcançar o poder...”

Esse texto é dedicado a Sheyla Castilho porque ela sabe ler.

Fortemente inspirado em Peter Pal Pelbert e Norman Mailer.

Saturday, February 07, 2009

Julia!


Júlia!
Criança Oceânica

Sonhei com uma musica dos Beatles, de nome Julia, que John Lennon escreveu pra sua mae, que o abandonou e ele foi então criado por sua tia, Mimi.
No sonho ele me traduzia a letra , e as palavras todas eram pra você, ele falava sobre taxis de papel, sorvetes de sonhos e olhar oceanico e lembrei de toda nossa conversa entre o Hotel Sheraton, Mirante até chegarmos no nosso destino usual, rotineiro, nosso quintal e playground, o Leblon.
Lembro de sua felicidade me perguntando que horas o ‘Hotel Marina acende?’, vc sabe da emoçao que sinto quando o hotel Marina acende...só vc sabe...
Sinto sua falta ( tambem da Clara!), das suas ligaçoes pelo interfone ao meio-dia, ‘tio Bibico vem almoçar, Tio Bibico vem tomar um suculento suco de maracujá que a minha fabulosa mãe fez..’.seu conceito claro de familia, sua felicidade me torna feliz, seu encantamento com a Clara! Basta ver uma das duas pra saber se a outra esta feliz!
Sinto sua falta, você, Julia, minha fiel tradutora, a primeira que fez a leitura de meus poemas com total atençao e intençao...quando nosso trabalho for reconhecido e vc for uma mulher fico pensando a felicidade que será você recitando minhas poesias, não mais me olhando nos olhos, me cobrando a certeza ferina das palavras ...’.nao quero ver aquilo que já sei de sobra, vc me pede pra ir ao ciNEma...’

Fico pensando em quantos passeios ate o Leblon ( sempre o Leblon)... e que não habitamos mais um lugar e sim a própria velocidade e que essa pressa poderia nos afastar, todas essas informações, mas não, nós não, sempre teremos a poesia nos chamando, nos tomando de assalto a qualquer hora e isso é que nos torna senhor de nosso passos....

Tudo isso, escrito assim dessa forma é pra te dizer o quanto te amo ( e tambem a Clara!) e que voces são a menina dos meus olhos, as princesas de meus movimentos e ações, tudo o que faço eu penso em voces e no imenso amor que nos circunda.
Se não entender o que escrevi peça pro Tio Miguel te explicar, se ele tambem não entender peça pra ele te ler quantas vezes for necessário ate que não precise mais se ler, ate que tudo o que escrevi se transforme em puro amor, pura luz: tudo pra voces duas, minhas princesas sem coroa, Julia Peticov e Clara Dorneles Peticov!
Bjs
Tio Bibiko.
Outuno de 2007 ( em prisão domiciliar/ São Paulo)

Monday, February 02, 2009

Day by day, Gothan Sampa


Day by Day,Gothan Sampa, maio de 08 ( Póstumo)

Fui dormir triste, estava tão frio que doía minha alma. Pensei em você e na sua cama, suas pernas. Sua casa de mármores tão brancos.branca.branca.
Agora estou só.
Ando triste feito canção do Radiohead. Subi e desci a Nazaré.Nao vou omitir que parei em frente a igreja.Sempre o exacerbado catolicismo ibérico me perseguindo.
Estou tão só que minha arrogância não deixa mais ninguém me amar e nem se aproximar de mim, ‘só falo comigo & comigo’.
Subi a Vergueiros em direçao ao metrô e o esgoto corria a céu aberto –a inferno aberto- as ruas como feridas no céu. Borges, sempre Borges nos ouvidos.
Os carros todos parados. Passamos mais tempo no transito do que em casa. A impossibilidade pratica de ser feliz com tantos automóveis. Eles invadiram a simples-cidade.
Essa cidade é um inferno, essa cidade é um inferno.
Ambientes áudio-confusos.Ambientes áudio-confusos.
O metrô lotado, me senti gado novo, nada admirável, sem charme, apesar de meu cachecol gringo.
Na volta os botecos lotados de gente triste e bêbada, tomando cachaça com suas miseráveis moedas.Me pergunto onde Deus está nessas horas.é uma pena que não exista mesmo um deus, eu ando a procura dele desde os 9 anos de idade.bebi também apesar do esgoto a céu aberto...precisava me conectar com aqueles perdedores e só o álcool conseguiria isso.Aqui é o fim do mundo.Os carros todos parados.Uma multidão parada na Sé enquanto o metrô seguia sem parar, lotado.
Lembro da sua casa e de suas escadas de mármore, o cheiro de roupa na mala. Zoinhos assim são mais belos que renda branca na sala.
Desci a Cipriano Barata no Ipiranga. Nos fones Dylan e uma frase de Marcuse, sobre ‘o termino do domínio do principio da realidade sobre nós’...sobre minha infelicidade, eu precisava estar nessa cidade? Essa cidade é um inferno. A minha saúde espiritual entre a luta desprazerosa e a felicidade, a raiva racional e o amor racional, como disse Jung.
Estar em movimento.
Saber e estar preparado pra aceitar o amor. Em mão dupla.


Ps: pra Liége que me forneceu as primeiras cobertas e agasalhos quando cheguei no inverno mais frio da década em SP.

Eu amo essa cidade!

Byra Dorneles
www.palavraeletrica.com

OUÇA A PALAVRA ELÉTRICA VOL.1