Sunday, August 12, 2012

João Miguel, o velocista.





João Miguel, o velocista.

Eu tive um sonho com você, Joao Miguel
Um cara que tinha a minha cara
Desejava vitrines
Espelhos refletidos, power narciso do agora
Todas cidades refletidas : Tokyio, Paris, São Paulo e New York...
Nos seus olhos- depressa demais.

Potencializava toda minha angústia em poder pra você
Força e luz focada num flerte de coragem
Percorria ambientes e continentes, quebrava muros,
Contrário a mim, Não tinha medo de nada.
Depressa demais

Eu tive um sonho com voce, cara
Velocista!

Quando você nascer eu já terei visto você
Lido você

Com seus movimentos rápidos dos seus tios-avós
Getulio Vargas e Lampião.
Depressa demais!
Perpetuando minha dança pelos corredores dos  supermercados
Sonhando  pelo término do domínio do principio da realidade sobre nós.

João  Miguel Sill Dorneles nasceu no dia 30 de junho de 2012,
as 19h37 com nota 10 no quinto minuto.




No sentido horario:
João Miguel,Byra Dorneles,
Miguel Dorneles e Pablo.


Sunday, July 01, 2012


 PENSANDO NO BABY( Dezembro de 77)

Depois de tantos telefonemas pro Rio
Me sinto assim
Pesado, passado...
Pensando que apesar de 8 anos
Continuo cheio de dúvidas
Tanta solidão
Que não te conheço
Que não sei o que passa
Pelos teus dedos
Tua cabeça
Que não sei o que comes
Com quem você dorme
Então quando pego no fone
E penso no Baby
Não consigo me exprimir
Você não vê os gestos que faço
Não consigo ver a cor dos teus cabelos
Mas sei que você morde os lábios
O tempo todo
Cheia de dúvidas...
Pensando no Baby
 -Escrito quando a Lucylle estava grávida do Pablo,eu morava em Sao Paulo no entao Teatro Aquarius e queria convence-la a termos o bebê.Pablo está vestido com as roupas do grande poeta Paulinho Luneta.

Saturday, June 30, 2012

Júlia! Criança Oceânica

Júlia!
Criança Oceânica

Sonhei com uma musica dos Beatles, de nome Julia, que John Lennon escreveu pra sua mae, que o abandonou e ele foi então criado por sua tia, Mimi.
No sonho ele me traduzia a letra , e as palavras todas eram pra você, ele falava sobre taxis de papel, sorvetes de sonhos e olhar oceanico e lembrei de toda nossa conversa entre o Hotel Sheraton, Mirante até chegarmos no nosso destino usual, rotineiro, nosso quintal e playground, o Leblon.
Lembro de sua felicidade me perguntando que horas o ‘Hotel Marina acende?’, vc sabe da emoçao que sinto quando o hotel Marina acende...só vc sabe...
Sinto sua falta ( tambem da Clara!), das suas ligaçoes pelo interfone ao meio-dia, ‘tio Bibico vem almoçar, Tio Bibico vem tomar um suculento suco de maracujá que a minha fabulosa mãe fez..’.seu conceito claro de familia, sua felicidade me torna feliz, seu encantamento com a Clara! Basta ver uma das duas pra saber se a outra esta feliz!
Sinto sua falta, você, Julia, minha fiel tradutora, a primeira que fez a leitura de meus poemas com total atençao e intençao...quando nosso trabalho for reconhecido e vc for uma mulher fico pensando a felicidade que será você recitando minhas poesias, não mais me olhando nos olhos, me cobrando a certeza ferina das palavras ...’.nao quero ver aquilo que já sei de sobra, vc me pede pra ir ao ciNEma...’

Fico pensando em quantos passeios ate o Leblon ( sempre o Leblon)... e que não habitamos mais um lugar e sim a própria velocidade e que essa pressa poderia nos afastar, todas essas informações, mas não, nós não, sempre teremos a poesia nos chamando, nos tomando de assalto a qualquer hora e isso é que nos torna senhor de nosso passos....

Tudo isso, escrito assim dessa forma é pra te dizer o quanto te amo ( e tambem a Clara!) e que voces são a menina dos meus olhos, as princesas de meus movimentos e ações, tudo o que faço eu penso em voces e no imenso amor que nos circunda.
Se não entender o que escrevi peça pro Tio Miguel te explicar, se ele tambem não entender peça pra ele te ler quantas vezes for necessário ate que não precise mais se ler, ate que tudo o que escrevi se transforme em puro amor, pura luz: tudo pra voces duas, minhas princesas sem coroa, Julia Peticov e Clara Dorneles Peticov!
Bjs
Tio Bibiko.
Outuno de 2007 ( em prisão domiciliar/ São Paulo)

Thursday, June 02, 2011

Anjos tortos, Parte I



Quando o telefone tocou, às 17:00, eu estava na produtora, pensando em guardar os papéis e tomar meu primeiro drink, mas, a noite me reservava surpresas que eu jamais imaginaria...

- Oi, é a Sofia de São Paulo, estou na praça Mauá, Byraaaaaa! Gritava no telefone, pedindo help, pra que eu conseguisse um hotel barato na cidade.

Recentemente, ou talvez, desde sempre, tem sido assim, virei ímã de maluco, depois que li sobre a vida do beat Neal Cassady, comecei a perceber com mais clareza. É natural e já me acostumei, assim como o Bukowiski, que os malucos viviam batendo na sua porta a procura de álcool e ação e orgias, como se a gente vivesse o tempo todo assim.

- Hotel pra quê, mulher? Fica na minha casa...Tudo bem com sua amiga, qual o nome? Luli? Trank, conhece Copa? Me encontra no boteco Luar de Prata! Fechado, em 30 minutos.

Fiquei pensando em como elas tinham chegado ao Rio. Moravam na periferia de Sampa.

No bar. Falamos sobre literatura subterrânea, drogas ilícitas, se eu ainda usava e tal. Eu gostava muito de artane, mas isso já tem muito tempo. E a cena musical, Sampa e o rock e som que se ta fazendo por todo o Brasil. Comentei que havia estado em Goiânia e que a cidade fervilhava musica, rocknroll e que conheci uns meninos chapantes chamados Réu e Condenado, com letras debochadas, meio Mutantes e Zumbi do Mato, o Noise-Goiania.

Voltando. Sofia e Luli tinham empregos distintos. Sofia trabalhava num selo e era editora de um site, tudo subterrâneo, tudo alternativo. Luli, num escritório frio, no centro da cidade. Sofia tinha uma bicicleta, a Camila, com pneu furado há meses, Luli um carro importado do ano. Com tantas diferenças o que unia as duas? De onde vinha a amizade? Mas elas tinham um ponto em comum: a fome, a sede infinita pelas drogas. Sofia era editora de um e-zine e colaboradora num selo alternativo, fazia muito barulho e trabalhos comunitários, na periferia onde morava. Luli trabalhava num escritório muito, muito careta, um lugar extremamente frio. Ela tinha que pagar as contas, manter a gasolina daquele carro, pagar todas as multas, grana pras drogas e assim se divertiam muito.

Aí, numa tarde ensolarada, passeando de carro, fumando um beck e falando baboseiras...quando viram estavam na Dutra indo pro Rio, me ligaram, procurando hotel e começou a saga...

Luli tinha um cachorro, Sly, em homenagem à banda soul dos 70, Sly & The Family Stone. Como não gostava de beber sozinha, pensava que assim a chamariam de alcoólatra, viciou seu cão no álcool. A principio foi difícil, ele odiava cerveja e vodka, mas com o tempo começou a gostar de cerveja preta, e assim, passavam os fins de tarde e noites enchendo a cara...O próximo passo, é claro, foi dar umas baforadas de maconha na cara do Sly que gostou muito e passou a chorar a dar voltas pela casa quando não tinha a brenfa ou a cerveja. Um dia, Luli encontrou Sly pela manhã com um papelote enfiado no focinho...Não deu outra, o cão havia se tornado tri-atleta, viciado em todas as drogas, e o que a preocupava mais, era que com o alto preço da ração, era quase o mesmo valor da carne de segunda, estava ficando difícil manter todos os vícios do Sly, e Luli não podia culpa-lo, pois afinal, foi ela quem iniciara o cara na vida mundana. Havia somente uma vantagem nessa estória toda: não havia Narcóticos Anônimos para cães e nem terapeuta. Ela tentou a fórmula de um amigo guitarrista, sequelado de Copa, Luiz Penetra: pare de cheirar, cheirando. Consistia em diminuir gradativamente o consumo até parar por completo. Luiz estava há anos nessa dieta e até agora...Desistindo, ele havia composto um rocknroll: Parei de falar que parei. Era um clássico entre os drogados que não conseguiam parar, mas tentavam...

Conheci Sofia numa palestra sobre fanzines, a Futuro Infinito. É claro que ela rapidinho saiu e encalhou no primeiro boteco da esquina. Gostei dela logo de cara por causa da sua infinita sinceridade, olhões pretos enormes e a sede e a velocidade com que bebia, me fez lembrar dois amigos, o Tavares e o João, que bebiam um chopp com dois goles Eu gosto de pessoas assim que bebem sem culpa, um puta prazer...ela me dizia que não se sentia alcoólatra, que ela que escolhera o álcool e não a bebida que a escolhera, que pararia de beber a hora que quisesse, e que no momento não queria...que o álcool era seu aliado...Mas a bebida não te faz mal? - Sim, nos dias em que não bebo fico um trapo. Das minhas. Foi amizade ao primeiro copo. Bukowski? Era garoto perto dela...

Luli. Achava que tinha síndrome de Peter Pan. Não, disse Sofia, é síndrome de Sininho, você é mulher. Luli comentava que há mais de cinco anos ia aos mesmos lugares e eram as mesmas pessoas e as mesmas musicas e ela achava que não iria crescer nunca, morava com os pais apesar de ter mais de vinte anos e não sabia que profissão queria seguir e...Sofia ria e apertava mais um, dava mais um gole na cerveja e dizia num tom sacana e desencantado que deviam deixar essas questões pra mais tarde, afinal, somos tão jovens...e esse assunto me deprime e arde demais os meus olhos e cutucar as feridas é um modo de manter o sofrimento, nós não gostamos de sofrer, deixa isso pra lá, vamos aproveitar...Onde vira a chave pro off?.

Luli ia às festas ficava com uns cinco meninos por noite e não levava nenhum deles pra casa, ela achava o máximo, algo do tipo voltei-a-ter-15 anos... Mas era infeliz, tinha medo de mim mesma.

Sofia tinha um segredo, nem Luli sabia. Havia contraído uma rara doença devido a sua proximidade excessiva com celulares e afins, objetos por controle remotos. Estava estéril e perdera a memória recente, às vezes no meio de um assunto esquecia o que estava falando, perdia as palavras, esquecia o significado real das palavras, a ponto de andar com um dicionário malocado na bolsa e uma fita crepe e uma caneta pilô que volta e meia usava pra nominar objetos óbvios como cinzeiro, sapato... Ela só tinha duvidas em relação a essa amnésia pois, como consumia muitas drogas... Por conta disso tinha uma ação milionária contra uma prestadora de celulares multinacional e vivia falando dessa grana, que injetaria no seu selo que só trabalhava com fitas cassete e agora poderia utilizar o seu velho sonho de editar tudo em vinil, com aquelas capas coloridas e imensas fichas técnicas. O problema seria como baixar o custo disso e a distribuição pro seu publico subterrâneo.


Tuesday, May 17, 2011

Cenário de Mim


Não me venha falar de rios, montanhas do céu

Tudo é cenário,

Fundo de tela pra Mim.


Não me venha com seu geo-narcisismo,

Nem com esse orgulho da paisagem que te rodeia,

Pra mim não interessa

É fundo

Tudo é cenário de Mim,

Que estou em movimento

E minha casa é a velocidade,

Porque habito a velocidade em movimento perpetuo.


Não me apraz esse teu geo-narcisismo,

Mas o teu coração sentido e tua devoção muda

Que te impede de ver as coisas como são.

A natureza se movimenta de acordo com meu movimento,

É coadjuvante de Mim.

(Tsunamis, Tornados, Tempestades, Vulcões em erupção, Maremotos, Ciclones, Clones, se clone, clone-se...)


Byra Dorneles e Michelle Sill

Imagem by Sheila Cristina, www.shee.com.br


OUÇA A PALAVRA ELÉTRICA VOL.1