Wednesday, August 22, 2007

baseado em Go Back




Você me pede prá ir ao cinema
Entenda:
Eu não quero ver nada daquilo que já sei de sobra
Escuta:
Você reclama, bate o pé e chora
Porque não vamos a grandes reuniões?:
-Olha, eu só posso ir até onde eu aguente a barra.
Mas você grita e PERGUNTA!
Porque não vamos ao ci-ne-ma?
E eu repito:
Não quero ver aquilo que já sei
nao quero ver aquilo que ja´sei
nao quero ver aquilo que já sei de sobra...


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Tuesday, August 21, 2007

PORQUE VOCÊ NÃO APARECEU?


PORQUE VOCÊ NÃO APARECEU?

PORQUE VOCÊ NÃO APARECEU?

Porque vcê não apareceu?
Tenho te procurado nas gavetas, no meu quarto
Na TV e não te encontro
Tenho te procurado, como procuro DEUS!!:
Dentro de mim, na caixinha do armário
No arroz integral e no Jethro Tull
As vezes fico pensando...
Se você e DEUS prá mim são a mesma pessoa
Porque procuro vocês dois com a mesma intensidade
do meu ser
Com todas as forças que são poucas no momento
Mas eu queria apenas te ter agora
Do meu lado
Acariciando minhas costas librianas
E dançando comigo ao som do Tull
Porque você não apareceu?
Porque você não apareceu?



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de repente....

DE REPENTE

De repente Ficou tão tarde
Meu rosto olhando prá trás
Você quem disse...
O brilho nos olhos
Continua o mesmo
E a vida corre do mesmo jeito
Apenas os meus dedos não seguram mais as mesmas coisas
Os mesmos versos
Você quem disse
E eu não entendo porque de repente ficou tão
Tarde
E eu me sinto assim tão disperso...


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Pensando no baby...




Depois de tantos telefonemas pro Rio
Me sinto assim
Pesado, passado...
Pensando que apesar de 8 anos
Continuo cheio de dúvidas
Tanta solidão
Que não te conheço
Que não sei o que passa
Pelos teus dedos
Tua cabeça
Que não sei o que comes
Com quem você dorme
Então quando pego no fone
E penso no Baby
Não consigo me exprimir
Você não vê os gestos que faço
Não consigo ver a cor dos teus cabelos
Mas sei que você morde os lábios
O tempo todo
Cheia de dúvidas...
Pensando no Baby


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Monday, August 20, 2007

Lucille






Lucille

ACTION ONE (piloto)

para Lola e Nina e Mell.

No centro da sala, diante da mesa, Ella e sua mãe. Eu me sentia julgado, enquanto a mãe fingia mexer no celular, e não me ouvir,mas pra mim qualquer afetação de indignação ou negação teria me afetado menos que o desprezo silencioso, ou a calma falsa que precedia cada ação de sua filha. Paranóia. Eu andava obcecado e o meu peito parecia explodir. 

Não, eu me controlo. Levanto e pego uma taça de vinho. As duas fingem não ver meus movimentos. Será que consigo descrever minhas sensações¿ A noite posta sobre a mesa. Estão fingindo olhar o celular  e me julgando. Penso em sair da mesa alegando que vou fumar, mas elas sabem que não fumo, Como sair disso agora¿ Paranoia.Eu não deveria por uma data pra essa estória pois é ́uma cena persecutória numa mesa de jantar com uma família que tento mais uma vez me adequar, mas eu começo a contar as história sobre a igreja  e o Velho testamento... a algazarra crescente exponencial  de minha cabeça em ́pânico atingia níveis...Pàranóia. 

Eu vou levantar. Eu vou conseguir travar um diálogo. Vou sair pra fumar e nunca mais eu volto. Tudo isso rodava na minha cabeça como num filme. Me passa a salada. Ah, Kardec, sim...

Nessas horas penso em chamar  Deus mas estamos de mal desde a segunda guerra quando Ele deixou tantos judeus morrerem covardemente¿ E também por que Ele não fez aquela bala parar em 8 dezembro de 80¿ Choro a  morte de Lennon todos dezembros.

De volta a mesa. O Amor por princípio, era somente isso que movia minhas ações nos últimos tempos mas eu estava obcecado, não vou negar. O princípio na busca do prazer, seria Impossível eu ver um futuro luminoso a partir de um presente nebuloso. E eu amava demais Ella e havia me desprendido de todas relações duvidosas anteriores, total liberto.

Eu havia voltado a minha atividade de guerreiro, a arte de espreita, de Caçador- já tinha até dois discípulos e pela manhã e no por do sol fazíamos exercícios pela rede e meditações e Passos do Poder em praias imaginárias. Eu precisava realmente sair desse lugar e deslocamento da mesa no centro da sala, mas Ella me puxava com seus grandes olhos verdes. Eu andava obcecado.

Inveja hereditária e circular, mais uma vez uma sogra no meu caminho, e essa culpada e não-católica até a medula. Não confio em ninguém com mais de 30 aos que frequenta templos e principalmente se for protestante!

Era um deja-vu: ....................

E quando eu comecei a emular as minhas opiniões, e me examinei no íntimo eu não tinha mais certeza de que não sentiria medo de me expor...eu já não sabia...

 Motes:

Desumano voluntarioso  impetuoso

Dança irreal ao som de melopeias imaginárias

Os ciganos que sabiam  de todas as coisas

 

ACTION TWO.

(“ Se em sua vida te incomodei,ao morrer, serei sua morte”)

Liége!!!



Você pode até dizer, Liége
Que meus olhos são surdos
Meus ouvidos são cegos
Aceito
Tudo bem
Até que você é louca também
Agora negue
Que a minha boca é muda, surda
Que meus olhos são cegos- os ouvidos surdos
Eu duvido que você diga que eu não
Sou louco por você
Eu duvido que você diga que eu não
Sou louco por você

Prá te agarrar na Cinelândia
Te assustar com a minha língua
Te matar com tanto amor
Agora, só porque meus olhos ficaram de frente pros teus
Não é motivo prá você querer arrancá-los
Só porque eles choram e são tão sinceros:
Liége




Fundo do Oceano.



FUNDO DO OCEANO


As vezes tenho medo que alguém sonhe com o meu quarto
Mexa nas minhas coisas, abra minha gaveta, revire meus textos
e descubra assim, o meu lado obscuro
Tipo o lado desconhecido da lua, "the dark side"
O fundo do oceano
Desvendando aquilo que guardo, que calo
As vezes tenho medo que alguém sonhe com o meu quarto e mexa nas minhas coisas
Leia meus panfletos e descubra assim que a minha revolução
É muito particular
Que minha loucura é pessoal e controlada
Que eu não estou acessível
Que eu sô apaixonado
Que eu acordo e vou prá rua feito um caçador
A espreita do novo...
Que eu acordo e vou pra rua feito um caçador
À espreita do NO-VO!!!

Expressionismus


Ninguém precisa ter medo
ninguém se perde,
nem por causa de um movimento.
um pouco de variedade
é sempre desejável.
E muito mais do que isso
não surge desta magia aqui.

Quando um movimento fez muito,
teve efeito arqueológico:
removeu em nós uma castração.

Não se pense, porem,
que a entrega pura e lisa ao tempo
seja regra e o comum.
Os menos dos homens
vivenciam seu tempo,
isto precisa ser visto duramente;
os mais dos homens
tem negócios a fazer
e não tem tempo
para o seu tempo.

Alfred Doblin, 1918


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Wednesday, June 06, 2007

! Clara! E os Quixotes Magistrais


! Clara!e os Quixotes Magistrais.

Clara,sonhei com voce, te contava a estoria de Dom Quixote numa tarde ensolarada no baixo bebe do Leblon.
Voce me escutava atenta e eu pensava em tantos quixotes que eu procurei, li e tentei segui-los vida a fora....
Syd Barret, Baudelaire, Arnaldo Baptista, Neal Cassady, Ginsberg,Timothy Leary, Sergio Sampaio, Torquato Neto.
Voce brincava com o mouse , clicando nas fotos já desgastadas da rede, sorria e curiosa: Quem é esse? O que ele tem no cabelo?
Era Syd Barret, o freak fundador e mentor da fase mais lisergica do Pink Floyd, Umagumma/Piper. Um dia ele pirou e foi pro palco com um pasta branca na cabeca, uma mistura de varias drogas, artane, mandrix,sua cozinha anfetaminica. Todos os 'aliados' na sua busca insana de equilíbrio, no fio da navalha. O cara não habitava mais um lugar e sim a própria velocidade. A solidão positiva, a loucura circundante.
Eu nao podia dizer isso assim dessa forma pra ela, entao fiz uma sutil parabola:
aquele moco com pasta branca na cabeça, queria ser um palhaço , ele adorava ir ao circo mas nao gostava da roupa multi-colorida e exagerada dos palhaços,
tampouco suas maquiagens forçadas, entao optou por uma máscara algo que nao lembrasse o nariz vermelho dos palhaços. “ A esquizofrenia e o ato criativo andam de mãos dadas e o individuo pode oscilar de um para outro.”
Ela aumentava a foto e seus amiguinhos riam da cara e da roupa de Syd.
"Eu conheço um quarto de sons musicais/ Uns rimam, outros tocam/ A maioria deles é mecânica/ Vamos lá fazê-los funcionar”, uma das letras
de Syd.
A proxima foto que ela clicava tinha um cara com uma roupa militar, tal um 'sargento' cheio de medalhas e na capa do jornal, janeiro de 82, estampava:
“Vôo para a morte...” Curiosa, ela apontava e me olhava. Era o Mutante Arnaldo Baptista. Depois de se auto-exilar de sua banda,Os Mutantes, ele cria a “Patrulha do Espaço”.Anso depois, sozinho, traduziu pro portugues todas as musicas que tinha feito na Patrulha do Espaço e grava Singing Alone ( onde toca todos os instrumentos).
Esse disco e Loki? Foram discos impactantes, marcos da minha geração. Apos se separar da Rita Lee, entra em profunda depressao, era o fim do sonho de Lennon pré-anunciado.
Mais uma vez eu nao podia sobrepor o meu olhar, deixando livre o seu lirismo e seu descondicionamento. E explicava:
Clara, ele queria voar, ficou tao livre de suas amarras, não se encaixava em nenhuma forma de organizaçao, prisioneiro a céu aberto, que se jogou do terceiro andar, no primeiro dia do ano, estava sozinho, a solidao era tanta...e...
ele correu num voo cego pelas salas imensas...o seu vôo apontava o desencanto pelo mundo real.
“ Suicidar-se era viver, o ultimo ato vital que lhe restava.”
Clara, fez que entendeu, como convém a uma crianca. Estatico, pensei, como lidar com uma crianca que sabe?
A proxima foto foi eu que abri: Neal Cassady.
Era dificil falar algo pra Clara daquela figura tosca ali, na ferrovia.
Era dificil imaginar Neal parado, o cara que nao parava de falar e gesticular, os braços muito abertos. O cara que foi o guru dos beats e muito pouco reconhecido, muito pouco escreveu mas sempre me fascinou, por todo o ocio e o não-fazer que adotou. Ele disse nao ao sistema desde cedo e foi muito importante na minha adolescencia, ficava imaginando como seria sair assim sem
destino,por toda a América ou o Brasil. Tentei fazer o mesmo aos 17, com minha irma de 14 anos, pegamos um trem e fomos pro sul, sendo parados pela policia o tempo todo,mas sempre tinhamos uma vantagem acima de sua surpresa: meu pai havia assinado um documento nos dando a maioridade....
Neal se casou duas vezes com a mesma mulher, Carolyn Robinson, e isso me fascinava. Ele roubou dez mil dólares da Carolyn, que pediu o divorcio. Anos depois eles se reencontram e se casam de novo. Finalmente, em 63, se divorciam novamente após Carolyn flagar o triangulo, Neal, Ginsberg e LuAnne na cama.Tiveram três filhos e ela escreveu uma biografia sobre essa tumultuada relação. Minha cabeça ficou com essa ação persecutória e idólatra: pensei muito em casar de novo com minha ex que se divorciou a minha revelia. “Estamos presos um inferno de frenética passividade.”
Mas isso não é assunto pra Clara, que quer saber de Alice e o País das Maravilhas, e eu, avô precoce, com cara de filho sem pai, com cheiro de verde, ainda estou aprendendo, tentando me esconder da luz do sol que denunciava minha idade.
A próxima foto que ela perguntava seria difícil, muito doloroso eu contar algo que não a chocasse pois eles foram ( e são ) partes da minha vida desde que eu tinha 13 anos, desde sempre; Os Sete de Chicago: Jerry Rubin, Abbie Hoffmann e... Rubin estava de palhaço e era mais fácil de contar algo. Mas, como, se durante anos eles foram neutralizados pela sociedade de controle que se funda no poder da tecnologia e convertem toda sua revolução numa brincadeira de garotos desorientados e drogados?
Bem, Clara, ele era um palhaço e foi a um julgamento com seus amigos porque suas brincadeiras não faziam ninguém rir no circo. Eles tentaram depor um presidente que fomentava a guerra do Vietnã.Foram presos porque em 68,incitaram, pararam Chicago com ações,pequenas ações desobientes civis, atrapalhando o trafego, fazendo pequenos incêndios, subindo nos carros e gritando em megafones palavras de ordens contra a sangrenta guerra do Vietnã.Eram o shippies politizados, que se auto-denominaram Yppies- Partido Internacional da Juventude. Eles tinham ao seu lado nada menos que o lendário escritor Norman Mailler, Lennon, Ginsberg e John Sinclair. Foram todos presos e o seu julgamento foi um verdadeiro happenning com uma grande parte dos expoentes da contracultura presentes...O julgamento foi notícia em todos grandes jrnais do mundo, eu tinha 13 anos e recoreti uma matéria de capa da Manchete e dali veio o meu envolvimento. Vivíamos empelna ditadura militar e aqueles caras me incitavam a fazer pequenas revoluções no ginásio.
Jerry Rubin e Abbie Hoffman não fizeram concessões, preferiram passar fome a traficar com as letras. Rubin escreveu o livro DO IT, em que propõe um porco, o Justus, como presidente da América.
“ O objetivo principal hoje não é descobrir quem somos, mas recusa-lo.”
Ainda teriam tantas fotos e tantos quixotes, eu não precisava falar de todos de uma vez,as fotos estavam ali: Lucien Carr, Tim Leary, Burroughs, Sartre...temos todo o tempo do mundo, não é Clara? Somos tão jovens....

As frases entre aspas são de Rollo May,Laing e Foucault. Algumas eu copio e cito e outras eu não lembro de quem são.

Esse texto é dedicado ao amor incondicional que nutro por Alexandre Do Val e por tudo que ele me propiciou.
O SELVAGEM SERIA O OUTRO DO CIVILIZADO?

Thursday, May 10, 2007

É Paulo, São Mutantes.



Harém da Imaginaçao.

São Paulo, dia 25 de janeiro, aniversario da cidade. 21:15h. Após a apresentação apocalíptica de Tom Zé, entram no palco Os Mutantes. Sim, Os Mutantes. Os irmãos Sergio Dias e Arnaldo Baptista,Dinho e a nova mutante Zélia Duncan.
Sergio e Arnaldo visivelmentes emocionados, os olhos de Serginho brilhavam muito. Fantasiado de D. Pedro I, Arnaldo de capa, ao som de D. Quixote. As 50 mil pesssoas vieram abaixo, era pura emoção!
Na cabeça de Serginho Os Mutantes nunca acabaram, estavam de férias prolongadas.Sim, mais de 30 anos, mas, por suas suas entrevistas, sempre falou nos Mutantes no presente e sempre disposto, aberto a volta, a re-volta dos Mutantes; quando seu desejo passou a ser mais que um cego impulso. Não se via ali a bipartição, antes e depois.
Ninguém sai ileso após ouvir os Mutantes.Como disse Gilberto Gil na capa de seu segundo disco,’não existe camisa de força nem guarda-chuva contra os Mutantes’. Eles sempre foram um “continuo vir-a-ser”, jamais se limitariam a uma compreensão esquematizada.
Me lembro que em 2004, na casa de Lucinha e Arnaldo em Juiz de Fora, quando fomos assinar com Aluizer o contrato do cd Let It Bed do Arnaldo, que saiu pela Revista Outracoisa. Fomos eu, Lobão, Regina, Cris Aspesi, saímos do Rio as 06 da manhã e fomos ouvindo todos os discos solos de Arnaldo ( que eu levei pra ele autografar mas me intimidei na hora) e o assunto veio à baila: Os Mutantes. Aluizer ( empresário do Pato Fu e agora dos Mutantes), muito entusiasmado falando nessa possibilidade remota, naquela época. E o Lobão contando estórias do final dos anos 70 quando montou uma banda tumultuária com Arnaldo Baptista e Arnaldo Brandão( A Bolha, Hanói, Hanói) e nem tinha nome. Brinquei e disse que deveria se chamar 1 Lobao e 2 Arnaldos. Todos riram. Mas a idéia foi abortada após algum tempo, pois eles ensaiavam na casa da namorada do Lobão, a ex do tecladista do Yes, Patrick Moraz e, segundo o Lobão, vivia uma situação de prisão domiciliar , por ser mais novo e tal e ela proibiu os ensaios! Imagina o som que deveria ser isso!!! Já tinha sido detonado o som progressivo e o punk então fervilhando.Enfim, são estórias que o próprio Lobão deverá contar no livro que está preparando na comemoração dos seus 50 anos.
O show. Ponto alto na música Dia 36 em que Arnaldo se solta e a letra, claríssima na sua voz com o mesmo efeito do disco, seria um pitch ou flanger?
Esquece, não pensa mais...
Sérgio super emocionado errou a letra de Balada do Louco sob o olhar sempre atento da Zélia Duncan,e, assim também, em Bat Macumba que se percebia um duelo entre ele e Zélia, quem vai errar a letra? Poesia concreta e visual em que se forma a asa de um morcego e a letra K, glauberiana e desbundada, quando brinca com macumba e iê-iê-iê, um sacrilégio em épocas de ditadura e engajamentos.(68)
Eu não acreditei quando colocaram dois microfones no centro do palco e entrou Tom Zé cantando Qualquer Bobagem, letra fragmentada,de intenções fugidias, quase gaga, em que o cara parece que está bêbado e tenta: es-c-ute essa c-c-anção, ou q-qualquer bobagem...ouça o coração...
A emoção maior, pra mim, foi quando o Serginho anunciou a banda, um brilho nos seus olhos quando fala do irmão, abre os braços e diz:
Nós somos os Mutantes!
Todos juntos numa pessoa só, 50 mil pessoas. Emocionar 50 mil pessoas é tão fácil quanto respirar.



Esse texto é dedicado a Cris.Tina que não teve medo e correu não atrás, mas sim, correu na frente do sonho e vai realizá-lo porque merece.

Foto do site de Bruno Torturra.

Sunday, November 26, 2006

LU AR


LU AR

Foi tudo programado. A gente sabia que cada passo dado seria histórico.Duca ria e me abraçava e andava lentamente como em camera lenta.Isto é história:íamos a pé para a casa da Vera, em Belo Horizonte, irmã de Lucinha, onde ela e Arnaldo Baptista se hospedam. Saímos assim que terminou o sound check da Orquestra Imperial.Compramos algumas cervejas e o trajeto foi tão longo que bebemos todas as latas." A gente bebeu, a gente fumou tanta coisa por aí..."
Tínhamos uma grana pro táxi e negociamos: Vamos comprar uma dúzia de latinhas e seguimos a pé. Não sabíamos o quanto era longe, acho que uns 3 km e acabamos com todas as cervejas...
Duca Moobwa, um cara branco,canabico, 20 e poucos anos, de classe média, gesticulava e falava muito rápido, balançava os braços exageradamente, feito Neal Cassady. Com tantas tatuagens e andar descolado de estradeiro, roadie, Duca, se parecia em qualquer lugar do planeta como um cara que tem uma banda de rock e ele tinha mesmo: Uma aparência inconfundível. E segredou, Cara, tenho um plano de jogar sem regras contra a sociedade, não sei fazer nada além de tocar guitarra e rock’n’roll....confesso que não entendi mas assenti, não iria medrar pelo silencio.
Quando acabaram as cervejas mas nao a sede, recordei um conto do Caio Fernando Abreu, do livro Morangos Mofados, em que o cara vai ao encontro do seu amor, e cai. Chovia muito e quebra a garrafa de conhaque e fica com vergonha de chegar com cheiro de álcool. Quando chega lá, ele bate, bate, bate na porta e... Como se chama o meu amor mesmo? Ele esquece o nome!!! É a cara das letras do Arnaldo, principalmente nas músicas que ele fez com a Patrulha do Espaço e Singing Alone, com seu palavrório assombroso, como se a sua integridade psíquica estivesse por desabar:
“...Hoje de amanhã eu acordei e pensei onde esta o arco íris?
Já não sei se voce é o arco íris
baby
Acordei sozinho e pensei: preciso de dinheiro
Já não sei se voce é o dinheiro
Será que baby sou eu?
Será q baby é vc?...Sera que Baby e Deus?
...É um pouco assustador, não é?...sexy,sexy sua, sexy sexy nos ouvidos...posso até me suicidar até o sol raiar...”
 
Lembrei da primeira audição do recente CD do Arnaldo, Let it Bed, na casa do Lobão, em que nos emocionamos, eu e Liege, ao ouvir " Bailarina", uma bossa jobiniana ( não uma dança fortuita), com letra e fatos experimentais caóticos que na lingua ‘arnaldês’ ficam tão simples, mesmo desconstruindo tudo:

me dá o prazer de ser mortal-imortal...

Fiquei extremamente feliz e pensei que isso não poderia ser um ato solitário, a minha felicidade tinha que ser compactuada , eu precisava dividir com todos e eu falava e falava das músicas e o cd saiu quase um ano depois. Me lembro de uma audição com os integrantes da banda Cachorro Grande e Lobão e o Fernando Sr. F em Brasília, todos extasiados com o cd.  
Eu tinha vontade de perguntar para o Arnaldo sua orientação religiosa,fiquei curioso após ouvir L.S.D. em que ele diz, numa defesa profana: Louvado Seja Deus que nos deu o rock n´roll...Recentemente, Lucinha me disse que ele era ateu apesar de evocar tanto Deus nas suas músicas, “ se eu posso pensar que Deus sou eu e bruuuuuuuu....” em “ Balada do Louco”. Deus parecia seu objeto de obsessão, como se o Principio fundador, onipresente, também responsável pelo rocknroll, o cosmo virando caos de novo. A regravação dessa musica no Disco Voador potencializa com emoção exacerbada e angustiada, num disco com precários equipamentos técnicos em que o produtor Calanca escreveu em letras garrafais na contra-capa: Somente para Fãs. Arnaldo, perpetuamente brandindo sua procura, dando bandeira do pic-esconde entre Deus e ele. Ali, num impulso solitário mais uma vez ele grava sozinho todos os instrumentos. Lobão que recentemente gravou assim o cd “Canções Dentro da Noite Escura”, ao ser perguntado por um jornalista como era tocar todos os instrumentos, se não era solitário demais, ele disse, Mas um pintor também não faz seus quadros sozinho...?
Arnaldo fez um desenho pro Lobão, com as incriçoes: Lá Si Dó, sua eterna obsessão pela brincadeira, trocadilho, LSD. Sempre Deus e o acido lisérgico nas suas letras...só quem experimentou pode entender o seu recado. Deus e rock’n’roll. Deus e acido, complementares ou feroz antagonismo? Sua busca quixotesca por Deus? Ou deus?
JESUS... BACK TO THE WORLD....
Mais citacoes em Tacape: ‘por seu amor esqueço até de Deus...

Mas o papo fluía e não queria estar ali com papo inquisidor e afinal fomos lá para beber e matar as saudades.Nos falamos por e-mail quase diariamente há dois anos e eu sentia muitas saudades deles,me sentia feliz em ver os olhos de admiração e amor de Lucinha... a felicidade a fazia luminosa. “deve ser amor que estou sentindo, ´so pode ser amor que estou sentindo, yeah..”
Recomendei ao Duca pra não ficar esmiuçando o passado e tal, falando de Rita Lee....e assim que começamos a conversar eu disse que iria nascer minha primeira neta, Clara Peticov, e Arnaldo recordou que o Antonio Peticov, que foi também seu empresário, foi o cara que fez aquela famosa calça de couro que está na capa do Lóki? Daí falamos sobre o festival de São Lourenço, onde Lucinha disse te-lo conhececido e foi um pulo pra Rita: o André Peticov, avô da Clara! fez a capa do melhor disco de Rita, pré-Roberto de Carvalho: “ Atrás do porto tem uma cidade”....e não paramos mais de falar do passado...Então Arnaldo foi até o equipamento de som e trocou o disco do Queen pelo novo do Pato Fu e cantava todas as letras.

Depois de nos mostrar seus desenhos e camisetas, bebemos e fumamos e convencemos todos a irem ao show da Orquestra Imperial, após acabarmos todo seu estoque de cigarros e de cervejas.
Chegamos.
Foi mágico circular pelo salão onde todos queriam cumprimentar o cara. No camarim todos os músicos queriam vê-lo, conversar, acho que os mais novos nunca deviam te-lo visto. Arnaldo me perguntou quem era o Moreno, filho do Caetano veloso e os apresentei. Fiquei orgulhoso por estar em sua companhia, por conviver no mesmo espaço com um cara de sua dimensão histórica e musical, um verdadeiro outsider, sempre esteve a margem, desde O Seis, dos Mutantes e de sua carreira solo.
Pensei isso hoje: Os Mutantes não acabaram. Nesse exato momento em varias partes do mundo tem alguém ouvindo Mutantes, numa orgia perpétua. Só que Sérgio, Rita e Arnaldo não estão mais juntos, mas a sua musica esta tão presente com músicos diversos como Beck, Curt Cobain, Sean Lennon, David Byrne...
A revista inglesa Mojo os colocou em 12º lugar, numa lista dos “ 50 Most Out There Álbuns of All Time” ( os 50 discos mais experimentais de todos os tempos), ficando à frente de Pink Floyd, Beatles e Frank Zappa! Como bem descreveu o jornalista Will Hodgkinson, “ os Mutantes eram adolescentes brasileiros do LSD que descontruíram Beatles para reconstruí-los novamente..."
Recentemente a canção Minha Menina foi regravada pela banda britânica The Bees em seu primeiro disco, Sunshine Hit Me.
Nesse show que os Mutantes fizeram agora em Londres com os três originais, Arnaldo, Sergio e Dinho e Zélia Duncan nos vocais, a revista Time Out os chamou de “ a maior banda psicodélica de todos os tempos”.
Voltando ao Let It Bed: O cd foi aclamado em diversas partes mundo, por críticos e revistas especializadas de rock como o site Euro Club de Jazz pelo jornalista Bruce Gilman.
Ali, após anos sem gravar, mas experimentando sons em casa e estudando e lendo sobre física quântica, na minha opinião, Let it Bed é sua experiência de pico, seu nirvana musical. Um cd que funciona com um I Ching, que deveria ser vendido em farmácia, antídoto pré-depressisvo em que Arnaldo voa e coloca toda a sua linguagem peseudo-caotica (altamente subjetiva) sem freios. Nesse cd ele não fala português, ele apenas usa a língua como referencia, ele fala Arnaldês, uma língua pra iniciados, que se parece com o português mas não tem a amarras dessa língua. Língua, essa, que só quem ouviu Loki? Exaustivamente conhece e logo se identifica.
Voltando.
Levei alguns drinks pra eles que foram pra platéia superior assistir aos sambas psicodélicos da Orquestra. Numa dessas vezes em que voltei a Vera me disse que eles tinham ido embora. O Berna que é o maestro da Orquestra, havia acabado de convida-lo pra uma canja, fiquei pensando em como seria Lóki? tocado com tantos instrumentos...fica pra próxima!

Fica aqui registrado a força gravítica que a música do Arnaldo exerce sobre a minha vida desde os 13 anos e também, obviamente, o amor que sinto por ele e Lucinha.


Escrito ao som exaustivo, no maximo volume, do cd Let It Bed. Procure fazer o mesmo e viaje. ( Louvado Seja Deus!)

Tuesday, November 21, 2006

DupraT


Duprat se foi! O pirata de todos os signos!
Acordei com essa noticia. Peguei todos vinis  dos Mutantes e saí pela Niemeyr chuvosa. Nos ouvidos uma canção hippie em que Gal dizia e eu sampleava: Meus dedos cheio de anéis e minhas calças vermelha de Flash Gordon.
Fui ouvindo tudo o que tinha do Duprat. Passo a passo, um por um, cada disco me remetendo obviamente à minha atribulada vida afetiva, tantos casamentos...
 Me lembro quendo ouvi o primeiro Lp dos Mutantes aos 13 anos. A cara da minha mãe, imagina! Mais assustada que eu. Quem são esses caras? E Panis et Circencis com a rotação terminando como se houvesse caído a energia elétrica. Nessa época eu namorava Lucylle, então com 12 anos e ela era obrigada a ouvir diariamente comigo todos os discos dos tropicalistas.
Havia  um Lp do Gil em que Duprat fazia uma colagem sonora de guitarras do Serginho Dias com maracatus e  frevos e um som típico de banda do interior.
Ele foi sempre cultuado, na mídia paralela, como o George Martin dos Mutantes. Pra quem não sabe, Martin foi o maestro, arranjador, que produziu os melhores discos dos Beatles.
No inicio da década de de 90 ele veio ao Brasil e fez uma apresentação aqui no Rio, na Quinta da Boa Vista, ao lado do zoológico. Eu passava por uma crise no meu segundo casamento, uma de tantas...aí no meio do show cheguei pra Sara e disse: Seguinte, to pedindo demissão do nosso casamento.Ela espantada, Como assim? É, to saindo, tenho outros objetivos, quero ter uma filha e tal, voce não quer...
Foi muito difícil, penoso continuar aquele assunto: Eu dizia, sem convicção: As contas são minhas, os filhos são nossos, os vacilos e pecado todos meus (meus amores).  Foram quase duas horas ouvindo aqueles belíssimos arranjos dos Beatles e minhas, (suas) lágrimas se confundiam com a emoção do show e o impacto, o dado imprevisível, o pedido de distrato de casamento. Os pecados e os vacilos sempe meus....Além disso tudo chovia muito e as lágrimas....
Nós dois sempre fomos assim, a primeira vez que pedi Sara em casamento foi num super-mercado. Sim, nós casamos algumas vezes. E era lá, no meio das compras que a convenci de voltar pra mim algumas vezes...
 
Bom, voltando ao asunto principal: Rogério Duprat, arranjador do disco Tropicália, o petardo inicial do movimento, onde mistura guitarras elétricas ( na época um sacrilégio) com cordas, foi eleito muso-maetro dos tropicalistas. Participou de todas as gravações, nesse período, dos baianos Tom Zé, Caetano Veloso e Gilberto Gil e nas carreiras dos Mutantes e também no primeiro disco solo do Arnaldo Baptista, Loki? Onde os sintetizadores se misturam aos seus arranjos alquímicos. Loki? foi considerado um marco, muito mais pela ousadia de gravar quase tudo num take só (sem emendas)e pelo tom confessional , do que pela própria sonoridade Elton John que Arnaldo vinha ouvindo. Ali, na faixa Uma pessoa só, Rogério Duprat desconstroe tudo, as cordas sobem o volume, a balada se torna quase um rapp, com Arnaldo e suas frases ininteligíveis num discurso bombastico...Era difícil alguém entender essa sonoridade Duprat- Frank Zappeana em 74!
Duprat, conhecido como gênio recluso, nasceu no Rio e se mudou pra Sp em 55. Virulento, já na capa do Tropicália, onde segurava um penico como se fosse uma xicara, ao lado de Torquato Neto, Mutantes, Nara Leão, Caetano,Gil e Tom Zé. Anos depois ele regeu o confuso transito de São Paulo deixando perpelexos tanto  pedestres quanto os motoristas!
 
Rogério Duprat continuou desafinando o coro dos contentes até quando já não ouvia mais e se isolou num sitio no interior de São Paulo e mesmo assim continuou produzindo jingles e algumas musicas para Lulu Santos e Rita Lee na década de 90.
Saudades de seu som e de sua ousadia!

Lucylle me abandonou em 86, após o colapso da relação de mais de 10 anos, na praça Nossa Senhora da Paz, Ipanema, deixou um filho de quase dois anos que Sara me ajudou a criar.
Após idas e vindas, com Sara,  em 2002 quando fui tirar a segunda via do meu RG, para meu espanto, na hora de preencher o formulario descobri que ela havia se divorciado de mim à revelia!
Minha estória com ela(s) terminou ali, mas o som não. Continuo ouvindo Duprat, Zappa e  George Martin, mas nao consegui realizar o meu sonho ( imagino de muitas pessoas) de ve-lo regendo os Mutantes, ao vivo, agora dia 25 de janeiro do proximo ano, numa praca publica em Sao Paulo!

 

Saturday, November 18, 2006

Carta aberta a Inajara!



Fevereiro/2003

INAJARA

Eu falo de amor e da perda, sempre, do sofrimento; vc sabe o que é ver o seu amor nos braços de um outro qualquer?
Falo da perda da individualidade, quando você ama tanto que já não se vê mais, não tem individualidade, quer tanto o outro, necessita tanto do outro, quer ver o mundo pelos olhos dele, entrar dentro dele, onde ele anda, o que come, com quem fala ao telefone, o que diz no telefone, o que escreve na Internet, o que faz em casa, e aí, a gente se esquece de si próprio e é a hora de parar, de se olhar no espelho e retornar a auto-estima, reaprendendo a amar.
Eu falo da perda de limites (pelo amor), dá desconstrução da identidade (de novo), do espelho que é você refletido do OUTRO, você pensa...
Eu falo do vazio que é estar sem o outro, a solidão e o silêncio, da falta de capacidade de se bastar, de ler um livro ou ir ao cinema, não nada disso importa quando você está tomada pelo amor excessivo. Eu falo da co-dependencia afetiva,voce ja nao come direito, dorme aos poucos, acorda na madrugada e lembra de uma cancao antiga da Dione Warwick, ou de Pablo Honey do Radiohead e chora e chora e chora e acorda com os olhos vermelhos e inchados.
Eu falo da posse dos pensamentos, do olhar, adivinhar seus movimentos, o que pensa, com quem ele sonha, com o que ele sonha...voce passa a procuracao de todos os seus atos... você tenta sair e não consegue, é como uma droga que te toma inteiro, entao você sabe o motivo porque pega os comprimidos pra dormir, doida que o dia acabe e que no próximo você receba um telefonema, uma mensagem na Internet dizendo, vem me ver,um torpedo celular... vem me ver, mas nada, a pessoa já está em outro lance e você não percebe, você não quer acreditar que o perdeu, todos seus amigos já sabem mas não podem te dizer e aí quer mudar de país, sair do planeta e de novo procura a caixa de anti-depressivos..
Eu falo do que falávamos na praia e sempre que estamos juntos, desde que nos conhecemos naquela viagem a pé pro Sul: do amor, da perda, de como é bom ser amado, quando o amor começa ele é igual pros dois e quando acaba sempre, quase sempre, termina pra um só e a gente sofre, procurando a alma gêmea pelos cantos... eu pergunto, alma gêmea é idêntica a gente ou aquela que te completa? Eu achei que tinha encontrado a tal, só que ela era a minha cara, meu espelho (naquele tempo!), canalha e irresponsável e egoísta com o amor...
Então você esquece tudo e pensa em encontrar um novo amor, vai ser tudo de novo? Vai amar aos poucos? Pode-se amar devagar e com medo? Existe isso? Aí você lembra de uma canção em que o João Bosco diz: o amor quando acontece a gente esquece que já sofreu um dia...
Esse texto é, obviamente prá ti e pra Tiza, que amou muito e nunca temeu nada.

Byra Dorneles
(Ex-calafate, ex-faxineiro da SQS 105 Brasília, é auto-didata e escritor diletante, mas quer sair do nicho)

Monday, August 14, 2006

CLARA PETICOV DORNELES


CLARA

Brancura de lírio...
Eu vi você no sonho e era assim
Seus dedos finos e longos de pianista
seu nariz e boca do pai, avô e bisavô: todos os Miguéis e Tio-Migas...
Sua pele branca
Branca
Branca
Sua tez branca de sua mãe judia não-ortodoxa. Dhimmi,
Seus cabelos encoracolados dos mulatos Dorneles

Clara! Te vi assim
Nascendo com luz nesse mundo mágico e assombroso em que vivemos
De guerras, aculturação, falsas ideologias, e culturas interneticas fakes.

Cada criança que vem ao mundo
Ignora por completo as mentiras que os homens inventam a respeito de tudo e sabem que o mundo não é só isso que se vê
Cada criança que nasce me suscita isso:
Revolucao
Um ser, uma flor que brota no asfalto
Tentando
Se movimentando pra mudar o mundo,
Parar o mundo.
Não que eu não tente a Revolução e queira te passar essa função, Clara
Sei que podem sempre nos chamar de Quixotes magistrais
Mas te vejo nascendo
Como uma aliada, Clara
Nessa guerra não-declarada
Nessa ditadura não-declarada, nessa ditadura cor de rosa...
Te vejo como cúmplice, Clara, porque te amo.
Eu te aguardo com pressa de libriano, pensando,
Que mistérios terá Clara?

“ ...uma só lua se reflete em todas as águas
e todas as luas refletidas nas águas
se originam de uma só Lua...”
Yoko Daishi

Clara Peticov Dorneles nasceu dia 21 de outubro as 11.39 com nota 9 e confirmou o meu sonho

Sunday, August 06, 2006

free free michael jackson free...


Estava lendo sobre Michael Jackson, essas ultimas noticias...e é quase impossível eu falar dele sem falar de mim.Na realidade sou sempre auto-referencia e acabo falando de mim quando vou escrever algo.Detalhe: não sou pedófilo! Estou lendo agora o livro “31 Cançoes” do Nick Hornby e posso garantir que se eu fizesse uma lista teria pelo menos uma musica do Miko. Talvez “I’ll be there” ou “Billy Jean”, não sei.
Temos quase a mesma idade e lembro dele com uns sete anos dançando com os irmãos na TV ... aí eu cresci e parei de ouvi-lo e ele não. Parou de crescer. Criou seu castelo do Peter Pan, a Terra do Nunca Mais, se trancou lá com todos seus sonhos e acreditou neles todos.Imagino a solidão que dever ser sua vida, o contrato de tristeza que assinou com seu sucesso, perpetuamente intoxicado...Conversava com um amigo na praia um dia desses e comentamos: Miko deveria ganhar o Premio Nobel da Paz por todos seus feitos, suas ações, pela sua canção na década de 80, We are the world...você tem noção de quantos mil dólares eles levantaram com isso? Pois é, ninguém lembra disso, querem só comentar o fato dele ser pedófilo e excêntrico e viver o seu mundo. Quantas pessoas brancas vivem torrando no sol e quantos brancos fazem dreads pra parecer negro?...Mas não, Miko não pode operar o nariz e querer ser branco, é proibido porque ele é preto, puro preconceito, cada um faz o que quiser com seu corpo.É proibido proibir. Não tem uns caras que se tatuam todos, até no rosto? Porque MIko, não?
Se é pra criminalizar alguém, prendam todos: comecem pelos pais, que desde a década passada já sabiam desses hábitos infantis do Miko...depois acione as “crianças”...12 anos e não distingue sua sexualidade? Suco de Jesus? Nessa idade eu já sabia bem distinguir um ácido de uma anfetamina!Soube que estão em debates novas leis nos Estados Unidos pra penalizar adolescentes criminosos, não seria esse o caso? Fala sério, desde os 6 anos eu tenho noção de minha sexualidade! Os pais e os meninos estão se aproveitando da fragilidade e poder financeiro de Miko, todos se aproveitaram...ele pagou hospital, curou o câncer do menino, deu de presente um relógio de U$ 75.000 e....
'Não era algo sexual. Dormíamos. Eu os cobria, punha um pouco de música e lia um livro', disse ele ao jornalista. 'Era algo realmente encantador e doce".
No principio, quando o garoto tinha 12 anos isso era bonito, o menino devia achar isso...quando ele conseguiu a grana e atenção que queria e foi discriminado na escola, quando o mundo viu aquele programa de Tv em q ele descreveu isso, e ele já estava com 15 anos, aí não. Michael se aproveitou dele(?)...é óbvio que o menino gostou e é óbvio que Michael dorme com seus amiguinhos e tem uma conduta lasciva com crianças e é óbvio que todos os pais sabem disso e se aproveitam...então o que sobra? Hipocrisia cristã católica e caótica....Michael sofre ataques constantes da imprensa,vítima de perseguição, por ser perdulário e por seus gastos compulsivos de milhões de dólares em lojas de brinquedos e tal, mas o dinheiro é dele, ele não roubou ninguém, simplesmente fez um trabalho impactante na década 80, sua experiencia de pico, acho que foi Triller, sem duvida... e passou anos pesquisando sons e arranjos com o maestro Quincy Jones e vendeu mais de 100 milhões de cds no mundo todo! Ele tem o direito de gastar sua fortuna com o que quiser!
Concluindo: Michael tem que ser respeitado, como um homem ( branco ou preto, não importa sua cor) que está a frente de seu tempo, com sua musica e sua vida. Daqui a 50 anos essas acusações maniqueístas serão motivos de pilhéria, como foi a queima de bruxas na Idade Média. Quando toda a moral cristã falida e reacionária estiver extinguida.
O Principio do prazer.
Deixa o cara viver!
Tem uma canção no disco novo do Lobão que me remete a isso tudo e me faz pensar em como deve ser difícil estar sozinho, não ter amigos e os pais sempre tão distantes:

“Pra mim o mundo é só mais um quarto escuro.”(Lobão)

http://www.flogao.com.br

Friday, June 16, 2006

Droga é legal, o homem que não é.


Domingo passado estava conversando com um amigo meu que é musico e constatei algo que penso há anos: droga é legal! Pense em toda a obra dos Stones, Brown Sugar na década de 70 e dos Doors, se não houvesse drogas. Sem apologia , eu só uso drogas ilegais duas vezes ao ano, no meu aniversario e no reveillon, mas fico pensando...Cabeça de Dinossauro dos Titãs, sem o Arnaldo Antunes drogado, seria possível? Sgt. Peppers, dos Beatles sem ácido lisérgico? Rimbaud...? Uivo do Allen Ginsberg? As portas de Percepção de Aldous Huxley sem drogas? Flashbacks, de Timothy Leary? O A E O Z, dos Mutantes? Meu amigo dizia: “sou um homem! Como é que é!? Alguém ou o sistema vai me dizer o que eu devo comer ou beber? A maconha é meu samba!” A proibição provém justamente do medo que ‘eles’ têm da máquina parar de funcionar e de que todos acabem com sua rotina febril e estagnante, de que nasça uma nova ordem em que os princípios cristãos caóticos e caducos venham ser questionados. A partir do momento que a sociedade rotula a pessoa de ‘viciado’ ele é excluido de uma possível participação e é discriminado. Ralph Emerson, que nasceu em 1803, usava haxixe e ópio e defendia um sistema de idéias basicamente fundamentado na individualidade, crescimento interior, autoconfiança e rejeição à autoridade, instigando assim, as pessoas a procurar um Deus interior e abandonar o cristianismo. Qual a importancia das drogas? Elas são usadas desde que o mundo é mundo! Qual o medo que elas despertam? Na Hollanda e alguns bairros de Londres tem espaços liberados pra seu uso com controle da sociedade e não tem casos de violência ou quaisquer distúrbios. Nesses casos acima em que cito alguns artistas que usaram e fizeram obras maravilhosas, alguém pode argumentar referindo-se às mortes de overdose e tal....É por isso que digo que a droga é legal e como o homem é que não sabe manipular e perde o controle, se Freud conseguisse conter sua fome de cocaína talvez chegasse a resultados enormes.Se Hendrix não se chapasse daquela maneira não teria morrido de sufocamento pelo vômito...Janis Joplin estava acostumada com uma dose de heroína sarapa e naquele dia fatal veio uma carga muito pura e...Elis Regina me parece que foi a mesma coisa... Recentemente, em 2003 houve um congresso aqui no Brasil, chamado Narco News, no qual um professor norte-americano, Robert Stephens, tentando espalhar o medo, como fizeram em 1937 quando foi proibida a maconha nos EUA, querendo apertar o cerco aos usuários e tambem visando aqui, a implantação de clínicas de ‘tratamento’, (esse terrorismo chamado de justiça terapêutica), fez varias falsas afirmações sobre a droga:
1 - causa insônia
2 - náusea
3 - nervosismo
4 - ansiedade e perda de apetite(!!!)
É claro que foi desmascarado lá mesmo na terra dele, imagine aqui, dizer que maconha provoca insônia e perda de apetite! No mínimo ele nunca experimentou!

Alguns nomes históricos que usaram/pesquisaram drogas: Carlos Castaneda, Aleister Crowley, William Burroughs, James Joyce, Ken Kesey, Torquato Neto, Alan Watts, Lennon, Paolo Mantegazza, Sergio Sampaio, Miles Davis, Jim Morrison, Keith Richards, Raul Seixas, Mick Jagger, Tim Maia, Jerry Rubin, Eduardo Bueno, Abbie Hoffman, Kurt Cobain, Arnaldo Baptista, Albert Hoffman, Allen Ginberg, Timothy Leary, Arnaldo Antunes;
Concluindo, vamos usar todas as drogas, plantas, com responsabilidade e moderação pois seu uso pode causar dependência, pensando que é fundamental:

1- Construir seu próprio e desfrutável universo
2 - Pense por si mesmo e questione a autoridade, como disse Burroughs: “ Na verdade, tudo é permitido”.
3 - “ O fato de todo homem e toda mulher ser uma estrela”.

Eu não posso causar Mal nenhum a não ser a mim mesmo...(Lobão e Cazuza)

*Byra Dorneles (Auto-didata, ex-calafate e estuda sobre drogas desde os 13 anos)
Base do texto: www.narconews.com
"Flashbacks" de Timothy Leary.
ILUSTRAÇÃO: ADÃO ITURRUSGARAI
HELP LUXUOSO: CYNTHIA LAVOIE

ABOUT ME E TORQUATO


ABOUT ME E TORQUATO NETO










Abri uma cerveja e mais outra e eu queria mais e me flagrei de uma coisa que o Torquato Neto disse: o alcool é pra mim o que é a coca e o piau pra alguns...e eu sou radical em relaçao à coca , mas é a mesma coisa: a birita vai me levar pro hospício. Minhas idéias estão embaralhadas, esqueço de tudo, ando com papel e caneta no bolso e escrevo tudo, dois minutos depois não lembro mais....Na sexta passada me deu um branco e fiquei quase uma hora a deriva, tipo bad trip de ácido...com as lembranças feito estilhaços ma minha cabeça... Sei, como disse Nietzche, “Nós, os novos, os sem nome, os difíceis de serem entendidos, os filhos prematuros de um futuro ainda não demonstrado, temos a necessidade, para um novo objetivo, de um novo meio, quer dizer, de uma nova saúde, uma saúde mais forte mais afinada mais tenaz mais ousada mais divertida do que todas as saúdes conseguiram ser ate agora...”. Sei que citar Nietzche é um pouco de ousadia, mas é assim que me sinto em relação ao álcool, é meu aliado nesse sentido...e Nietzche fala em saúde uma saúde mais forte e tudo, sem uma vírgula, de uma vez.... Fui pra análise, passei anos lá e resolvi algumas questões, mudei minha relação com o álcool, mas largar ele mesmo, jamais. Sou um observador do tempo, não fico de bobeira e sei que é extramamente prazeiroso estar aqui e agora e presto atenção e medito e faço a respiração certa, mas o álcool não largo. Aí me deparo com um texto do Torquato dizendo: eu não percebia que o álcool é a mesma coisa do vício do pico e pode me levar pro hospício... Eu sempre tentei levar uma vida outsider e criei meus filhos assim e fugi da escola e do serviço militar obrigatorio, quase rasguei minha identidade, quase fugi do país num trem fantasma via Bolívia, quase fui pai aos 17 e nessa epoca o álcool não era tão importante pra mim e eu também adorava ácido lisérgico e cogumelos, mas essas drogas não provocam dependência como o álcool e anfetaminas. Eu tenho medo de ir parar no hospício e é por isso que estou aqui escrevendo isso pros amigos, assim como um testemunho, deixando bem claro que de qualquer maneira não sinto a menor vontade de largar o álcool por mais medo que eu tenha de ir pro hospício como Torquato. “Se quiser samba, faça. Se quiser culpa, curta. Mas assim: abaixo a psiquiatria” . Mais uma vez, Torquato. Asfixia: é assim que me sinto quando ligo o rádio, eu não consigo mais ouvir rádio ou Tv; isso, eu ouço Tv, não vejo. Tudo o que escuto não toca mais em lugar nenhum e o que eu pensava ano passado se tornou velho , o que eu ouvia em janeiro não ouço mais, não consigo ouvir Mpb de jeito nenhum, eu que gostava tanto, é só Paulinho da Viola e uma frase apocalíptica dele: eu não vivo do passado, o passado é que vive em mim.... Eu usava pseudônimo pra escrever meus textos e soube que no século passado os artistas chegavam a ter 40 alter-egos, Fernando Pessoa foi um desses, eu usava FlyBlue e Mazarem, até por que eu falava sobre drogas (sem apologia, acho que todos tem o dever e direito de experimentar tudo) e eu me escondia, até que um dia eu disse, basta, e assumo tudo: tudo que eu escrevo, escrevo pra mim mesmo, sou meu próprio objeto de desejo.. Eu dispunha respostas pras todas questões, agora perdi todas as certezas e não me preocupo mais com isso, renasço todo dia com uma duvida e uma certeza a menos: todo dia é dia D... Fico com o frescor da duvida, a certeza da certeza faz o louco gritar e eu não grito mais, apenas abro mais uma cerveja e penso na morte como aliada, é assim mesmo, a morte é meu aliado pois é ela que me impulsiona, me joga no mundo, é com o medo que eu procuro me situar nesse tempo fantástico e deslumbrante que vivo, garimpando sonhos acordado. E o álcool apesar de todo esse medo que tenho de ir pro hospício como Torquato e Sergio Sampaio e Rimbaud é também um aliado....Será meu aliado enquanto eu estiver no comando das minhas ações, eu é que uso o álcool não ele me usa, como bem disse Bukowski....ah, sim, ele...Acho que nenhum garoto de 16 anos devia ler Bukowski, ele me incentivou muito meu vício, mas eu tinha 26 anos quando li "Mulheres" e estava saindo do segundo casamento e era o ano do primeiro Rock In Rio, nunca vou esquecer o prazer anti-cívico que tinha de jogar as latas pela janela do ônibus, ele falava demais nisso nos seus textos e aqui só saiu a primeira cerveja one-way em 85, no ano da graça do primeiro Rock In Rio! Tenho vontade de mandar isso pro meu pai e pro meu irmão Paztor e pro Leozinho - por que tudo foi escrito ao som altíssimo do Radiohead .( mas tenho medo deles acharem que estou enlouquecendo).
Paz, dê uma chance!Como Cole Porter e Torquato Neto devo abrir o gás, tomar champagne ou cianureto?

Wednesday, November 02, 2005

Samsara











! Samsara!

Olhos de ressaca.Voce tem olhos de ressaca.
Foi assim que começamos nosso dialogo, eu e Sophie. Eu não sei quem falava mais, eu ou ela! Como? Ressaca? Isso é ruim? Olhos caídos, cansados, de ressaca? ela perguntava... Ri e respondi: não, de ressaca, mar revolto, Tsumani, avassalador, destruidor...voce tem uma força que me arrasta para dentro dos seus olhos, e pra não perder o controle, pra não ser arrastado e tragado,me agarrei às suas palavras.
Olhos de ressaca, olhos de cão azul, e continuei rindo da desconfiança de Sophie, filha de minha namorada, Fedra.

A noite mal começava em São Paulo...Somos amigos de longa data e era prazeiroso estar ali e como sempre veio a baila o mesmo assunto: Deus. No primeiro semestre após reler Nietzche me tornei ateu, mas me benzo antes de dormir e foram meses difíceis, pensei. Será que o ‘Cara’ esta me testando?...Piva ria. Eu e Fedra lemos o Saramago metendo o pau em Deus, e sempre era assim “ Ele”, “Deus, o “Cara”...até na hora de desacreditarmos Nele, colocamos ‘Seu’ nome em maiúsculas...Deus não foi desinventado por Nietzche? A cerveja rolava e a noite fluía com tantos amigos e saudades.
Vou ser pai novamente e não quero que minha filha passe nem em frente a uma igreja, as crianças não deveriam ser batizadas, a igreja é um cancro, “igreja pra quem precisa”...nós não precisamos....Clara! não precisará. nao ter aberto meus olhos nesse sentido foi um grande erro, perdi muito tempo atrás ‘Dele’....perdi meu tempo...nao quero que minha filha repita esse erro...Nicolau V na Idade Média assinou uma lei criando todo o império escravagista...A igreja proibia cirurgia, que se abrisse o corpo humano.

“ A cegueira ante o Cristianismo é o crime par excellence- o crime contra a vida- o cristão foi ate agora, o “ser moral”...mais absurdo, falso, vaidoso, leviano, mais prejudicial a si mesmo do que o maior dentre os desprezadores da humanidade jamais ousaria sonhar...”

Continuamos nossa noite bebendo e nos reencontrando: eu insistia com o Pablo Lima, Fedra, Lili, Fara, Piva, Sophie e Zigg- a igreja, a religião ,pra quem precisa? como disse Arnaldo Antunes- talvez se não houvesse esse sentimento religioso, dogmático, essas pessoas ( que precisam de policia e de igreja) fossem mais violentas? não sei, não quero ser preconceituoso- o bem e o mal- pode ser delírio meu, eu odeio policia e igreja. Piva assentiu. Todos os cidadãos-policiais do mundo. Zigg, meu filho, cristão(?), semi-pagao, sem ter feito a primeira comunhão e nem ter se batizado passava a mão em seus cachos e Fara, sua mulher me olhava. Eu sacava a dúvida judia nos seus olhos de bilhas me fitando.
“Uma coisa que não tem nome,essa coisa é o que somos...”.

“ a moral cristã- a forma mais maligna da vontade de mentira,a verdadeira Circe da humanidade: AQUILO QUE DETERIOROU...”

O fato de sermos afuncionais irrita setores da sociedade, do estabelecido, nós percebemos isso- e o que me deixa feliz apesar de toda a hipocrisia vigente é que nos tornamos ‘diferentes’, criamos nossa própria sociedade sem culpa cristã, nossos filhos podem circular em todos segmentos da sociedade sem preconceito, podem usufruir de tudo que o “ sistema” – com aspas mesmo- oferece e vivemos sem aquela culpa e não somos os “hippies” dos anos 60 que negavam a sociedade de consumo, pelo contrario, queremos tudo que ‘eles’ podem nos oferecer- mas não temos o comprometimento de compactuarmos com tudo...Percebi que todos nós, nessa mesa, eramos profisionais autônomos, ninguém tinha vinculo empregatício e portanto não tínhamos hora pra acordar no dia seguinte...Sophie ouvia atenta e agora percebia até onde queriamos chegar. Eu vou tratorizar o que eu puder do “sistema” mas não vou abrir mão de usa-lo e Clara! vai nascer nessa família com esse dogma.
Clara! Peticov Dorneles!

Estive com Arnaldo Baptista ( dos Mutantes) e Lucinha e Vera em BH e lhes contei como estava orgulhoso desse encontro histórico de situações.O Antonio Peticov, que será tio de Clara, foi o primeiro empresário dos Mutantes. Descobri pelo biografo do Arnaldo Baptista que eu fui o cara que esteve em três eventos dos Mutantes, mas isso é outra historia...E o fato de nascer minha filha, Clara, agora em outubro me suscitou tudo isso...
Fedra insistia, e o budismo? A anulação do ego? Você leu Bhagavadgita? Jogou I Ching?...eu me lembro quando o Galvão (poeta e bêbado das calçadas e mentor do Novos Baianos) dizia que todo mendigo era um yogue de ouvido.E penso assim: o nirvana de um yogue,o must de um budista é a aniquilaçao do ego. O cara passa anos meditando e comendo arroz integral e tentando aniquilar o ego e cantando aquele mantra em que ele só pronuncia a palavra OM. E, naquele momento que ele atinge o Nirvana, em que ele se ilumina? Em que ele fica UM com universo, Um com toda a humanidade. Em que ele é o Pai, o filho e o Espírito Santo. Santissima Trindade. Em que todos os mistérios são desvendados e não há mais mistério nenhum. Em que a Nova Era vislumbra à sua frente. Em que ele se sente perdoado por todos os erros, em que o pecado original não significa mais nada, em que ele se torna UM com o Cosmos( e Damião). Nesse momento em que ele é amor da cabeça aos pés.... Como fica o ego? Ele sabe que atingiu o Nirvana? O ego fica cheio de moral? Lili ria, ante o conflito, me perguntava,” e aí como é que fica?” Será que ele retorna tudo, volta ao “S” , continua a comer só arroz integral e meditar 24 horas por dia? Um mendigo será mesmo um yogue de ouvido, Galvão? Um mendigo? “você pode ate dançar com Damião, mas quem contrariar a lei dos cosmos não vai pagar, já paga ao contrariar...”
Pablo continuava instigando a conversa sobre deus
( agora já, com todo o respeito, com minúsculas):
-você se sentiu ameaçado quando Nieztche desinven tou ele? Disfarcei meu ‘medo’ e falei sobre uma conversa que tive com o Lobão. Se não houvesse a intervenção da Igreja na sociedade, o peso do obscurantismo, a caça às bruxas,o homem teria pisado na Lua pelo menos 900 antes, por volta do ano 1000. Daí você pode imaginar quanto tempo perdemos,a perda histórica quando Galileu em 1616, teve que mentir que a Terra não era centro do universo pra não ser queimado pela “santa igreja”. Teve boa parte de sua obra censurada pela Igreja em todos paises cristãos e só recentemente o Vaticano liberou.

Zigg e Fara escutavam todo nosso papo torto sobre o colapso da religião e aí foi citado uma frase do Torquato Neto que silenciou toda a Avenida Paulista e toda a sala:
“ Não se pode matar o príncipe e deixar vivo o Princípio”.


-Olhos de ressaca foi sampleado de Machado de Assis, Capitu.
-Todos os personagens são fictícios exceto Clara, eu e Deus, obviamente.
- as frases entre aspas são de Friedrich Nietzche, José Saramago e Galvão.

“ Todo bairro tem um louco
que o bairro trata bem
só falta mais um pouco
pra eu ser tratado também”
( Paulo Leminski)

( Espero que Perdizes me trate tão bem quanto o Leblon)

OUÇA A PALAVRA ELÉTRICA VOL.1