Wednesday, June 06, 2007

! Clara! E os Quixotes Magistrais


! Clara!e os Quixotes Magistrais.

Clara,sonhei com voce, te contava a estoria de Dom Quixote numa tarde ensolarada no baixo bebe do Leblon.
Voce me escutava atenta e eu pensava em tantos quixotes que eu procurei, li e tentei segui-los vida a fora....
Syd Barret, Baudelaire, Arnaldo Baptista, Neal Cassady, Ginsberg,Timothy Leary, Sergio Sampaio, Torquato Neto.
Voce brincava com o mouse , clicando nas fotos já desgastadas da rede, sorria e curiosa: Quem é esse? O que ele tem no cabelo?
Era Syd Barret, o freak fundador e mentor da fase mais lisergica do Pink Floyd, Umagumma/Piper. Um dia ele pirou e foi pro palco com um pasta branca na cabeca, uma mistura de varias drogas, artane, mandrix,sua cozinha anfetaminica. Todos os 'aliados' na sua busca insana de equilíbrio, no fio da navalha. O cara não habitava mais um lugar e sim a própria velocidade. A solidão positiva, a loucura circundante.
Eu nao podia dizer isso assim dessa forma pra ela, entao fiz uma sutil parabola:
aquele moco com pasta branca na cabeça, queria ser um palhaço , ele adorava ir ao circo mas nao gostava da roupa multi-colorida e exagerada dos palhaços,
tampouco suas maquiagens forçadas, entao optou por uma máscara algo que nao lembrasse o nariz vermelho dos palhaços. “ A esquizofrenia e o ato criativo andam de mãos dadas e o individuo pode oscilar de um para outro.”
Ela aumentava a foto e seus amiguinhos riam da cara e da roupa de Syd.
"Eu conheço um quarto de sons musicais/ Uns rimam, outros tocam/ A maioria deles é mecânica/ Vamos lá fazê-los funcionar”, uma das letras
de Syd.
A proxima foto que ela clicava tinha um cara com uma roupa militar, tal um 'sargento' cheio de medalhas e na capa do jornal, janeiro de 82, estampava:
“Vôo para a morte...” Curiosa, ela apontava e me olhava. Era o Mutante Arnaldo Baptista. Depois de se auto-exilar de sua banda,Os Mutantes, ele cria a “Patrulha do Espaço”.Anso depois, sozinho, traduziu pro portugues todas as musicas que tinha feito na Patrulha do Espaço e grava Singing Alone ( onde toca todos os instrumentos).
Esse disco e Loki? Foram discos impactantes, marcos da minha geração. Apos se separar da Rita Lee, entra em profunda depressao, era o fim do sonho de Lennon pré-anunciado.
Mais uma vez eu nao podia sobrepor o meu olhar, deixando livre o seu lirismo e seu descondicionamento. E explicava:
Clara, ele queria voar, ficou tao livre de suas amarras, não se encaixava em nenhuma forma de organizaçao, prisioneiro a céu aberto, que se jogou do terceiro andar, no primeiro dia do ano, estava sozinho, a solidao era tanta...e...
ele correu num voo cego pelas salas imensas...o seu vôo apontava o desencanto pelo mundo real.
“ Suicidar-se era viver, o ultimo ato vital que lhe restava.”
Clara, fez que entendeu, como convém a uma crianca. Estatico, pensei, como lidar com uma crianca que sabe?
A proxima foto foi eu que abri: Neal Cassady.
Era dificil falar algo pra Clara daquela figura tosca ali, na ferrovia.
Era dificil imaginar Neal parado, o cara que nao parava de falar e gesticular, os braços muito abertos. O cara que foi o guru dos beats e muito pouco reconhecido, muito pouco escreveu mas sempre me fascinou, por todo o ocio e o não-fazer que adotou. Ele disse nao ao sistema desde cedo e foi muito importante na minha adolescencia, ficava imaginando como seria sair assim sem
destino,por toda a América ou o Brasil. Tentei fazer o mesmo aos 17, com minha irma de 14 anos, pegamos um trem e fomos pro sul, sendo parados pela policia o tempo todo,mas sempre tinhamos uma vantagem acima de sua surpresa: meu pai havia assinado um documento nos dando a maioridade....
Neal se casou duas vezes com a mesma mulher, Carolyn Robinson, e isso me fascinava. Ele roubou dez mil dólares da Carolyn, que pediu o divorcio. Anos depois eles se reencontram e se casam de novo. Finalmente, em 63, se divorciam novamente após Carolyn flagar o triangulo, Neal, Ginsberg e LuAnne na cama.Tiveram três filhos e ela escreveu uma biografia sobre essa tumultuada relação. Minha cabeça ficou com essa ação persecutória e idólatra: pensei muito em casar de novo com minha ex que se divorciou a minha revelia. “Estamos presos um inferno de frenética passividade.”
Mas isso não é assunto pra Clara, que quer saber de Alice e o País das Maravilhas, e eu, avô precoce, com cara de filho sem pai, com cheiro de verde, ainda estou aprendendo, tentando me esconder da luz do sol que denunciava minha idade.
A próxima foto que ela perguntava seria difícil, muito doloroso eu contar algo que não a chocasse pois eles foram ( e são ) partes da minha vida desde que eu tinha 13 anos, desde sempre; Os Sete de Chicago: Jerry Rubin, Abbie Hoffmann e... Rubin estava de palhaço e era mais fácil de contar algo. Mas, como, se durante anos eles foram neutralizados pela sociedade de controle que se funda no poder da tecnologia e convertem toda sua revolução numa brincadeira de garotos desorientados e drogados?
Bem, Clara, ele era um palhaço e foi a um julgamento com seus amigos porque suas brincadeiras não faziam ninguém rir no circo. Eles tentaram depor um presidente que fomentava a guerra do Vietnã.Foram presos porque em 68,incitaram, pararam Chicago com ações,pequenas ações desobientes civis, atrapalhando o trafego, fazendo pequenos incêndios, subindo nos carros e gritando em megafones palavras de ordens contra a sangrenta guerra do Vietnã.Eram o shippies politizados, que se auto-denominaram Yppies- Partido Internacional da Juventude. Eles tinham ao seu lado nada menos que o lendário escritor Norman Mailler, Lennon, Ginsberg e John Sinclair. Foram todos presos e o seu julgamento foi um verdadeiro happenning com uma grande parte dos expoentes da contracultura presentes...O julgamento foi notícia em todos grandes jrnais do mundo, eu tinha 13 anos e recoreti uma matéria de capa da Manchete e dali veio o meu envolvimento. Vivíamos empelna ditadura militar e aqueles caras me incitavam a fazer pequenas revoluções no ginásio.
Jerry Rubin e Abbie Hoffman não fizeram concessões, preferiram passar fome a traficar com as letras. Rubin escreveu o livro DO IT, em que propõe um porco, o Justus, como presidente da América.
“ O objetivo principal hoje não é descobrir quem somos, mas recusa-lo.”
Ainda teriam tantas fotos e tantos quixotes, eu não precisava falar de todos de uma vez,as fotos estavam ali: Lucien Carr, Tim Leary, Burroughs, Sartre...temos todo o tempo do mundo, não é Clara? Somos tão jovens....

As frases entre aspas são de Rollo May,Laing e Foucault. Algumas eu copio e cito e outras eu não lembro de quem são.

Esse texto é dedicado ao amor incondicional que nutro por Alexandre Do Val e por tudo que ele me propiciou.
O SELVAGEM SERIA O OUTRO DO CIVILIZADO?

Thursday, May 10, 2007

É Paulo, São Mutantes.



Harém da Imaginaçao.

São Paulo, dia 25 de janeiro, aniversario da cidade. 21:15h. Após a apresentação apocalíptica de Tom Zé, entram no palco Os Mutantes. Sim, Os Mutantes. Os irmãos Sergio Dias e Arnaldo Baptista,Dinho e a nova mutante Zélia Duncan.
Sergio e Arnaldo visivelmentes emocionados, os olhos de Serginho brilhavam muito. Fantasiado de D. Pedro I, Arnaldo de capa, ao som de D. Quixote. As 50 mil pesssoas vieram abaixo, era pura emoção!
Na cabeça de Serginho Os Mutantes nunca acabaram, estavam de férias prolongadas.Sim, mais de 30 anos, mas, por suas suas entrevistas, sempre falou nos Mutantes no presente e sempre disposto, aberto a volta, a re-volta dos Mutantes; quando seu desejo passou a ser mais que um cego impulso. Não se via ali a bipartição, antes e depois.
Ninguém sai ileso após ouvir os Mutantes.Como disse Gilberto Gil na capa de seu segundo disco,’não existe camisa de força nem guarda-chuva contra os Mutantes’. Eles sempre foram um “continuo vir-a-ser”, jamais se limitariam a uma compreensão esquematizada.
Me lembro que em 2004, na casa de Lucinha e Arnaldo em Juiz de Fora, quando fomos assinar com Aluizer o contrato do cd Let It Bed do Arnaldo, que saiu pela Revista Outracoisa. Fomos eu, Lobão, Regina, Cris Aspesi, saímos do Rio as 06 da manhã e fomos ouvindo todos os discos solos de Arnaldo ( que eu levei pra ele autografar mas me intimidei na hora) e o assunto veio à baila: Os Mutantes. Aluizer ( empresário do Pato Fu e agora dos Mutantes), muito entusiasmado falando nessa possibilidade remota, naquela época. E o Lobão contando estórias do final dos anos 70 quando montou uma banda tumultuária com Arnaldo Baptista e Arnaldo Brandão( A Bolha, Hanói, Hanói) e nem tinha nome. Brinquei e disse que deveria se chamar 1 Lobao e 2 Arnaldos. Todos riram. Mas a idéia foi abortada após algum tempo, pois eles ensaiavam na casa da namorada do Lobão, a ex do tecladista do Yes, Patrick Moraz e, segundo o Lobão, vivia uma situação de prisão domiciliar , por ser mais novo e tal e ela proibiu os ensaios! Imagina o som que deveria ser isso!!! Já tinha sido detonado o som progressivo e o punk então fervilhando.Enfim, são estórias que o próprio Lobão deverá contar no livro que está preparando na comemoração dos seus 50 anos.
O show. Ponto alto na música Dia 36 em que Arnaldo se solta e a letra, claríssima na sua voz com o mesmo efeito do disco, seria um pitch ou flanger?
Esquece, não pensa mais...
Sérgio super emocionado errou a letra de Balada do Louco sob o olhar sempre atento da Zélia Duncan,e, assim também, em Bat Macumba que se percebia um duelo entre ele e Zélia, quem vai errar a letra? Poesia concreta e visual em que se forma a asa de um morcego e a letra K, glauberiana e desbundada, quando brinca com macumba e iê-iê-iê, um sacrilégio em épocas de ditadura e engajamentos.(68)
Eu não acreditei quando colocaram dois microfones no centro do palco e entrou Tom Zé cantando Qualquer Bobagem, letra fragmentada,de intenções fugidias, quase gaga, em que o cara parece que está bêbado e tenta: es-c-ute essa c-c-anção, ou q-qualquer bobagem...ouça o coração...
A emoção maior, pra mim, foi quando o Serginho anunciou a banda, um brilho nos seus olhos quando fala do irmão, abre os braços e diz:
Nós somos os Mutantes!
Todos juntos numa pessoa só, 50 mil pessoas. Emocionar 50 mil pessoas é tão fácil quanto respirar.



Esse texto é dedicado a Cris.Tina que não teve medo e correu não atrás, mas sim, correu na frente do sonho e vai realizá-lo porque merece.

Foto do site de Bruno Torturra.

Sunday, November 26, 2006

LU AR


LU AR

Foi tudo programado. A gente sabia que cada passo dado seria histórico.Duca ria e me abraçava e andava lentamente como em camera lenta.Isto é história:íamos a pé para a casa da Vera, em Belo Horizonte, irmã de Lucinha, onde ela e Arnaldo Baptista se hospedam. Saímos assim que terminou o sound check da Orquestra Imperial.Compramos algumas cervejas e o trajeto foi tão longo que bebemos todas as latas." A gente bebeu, a gente fumou tanta coisa por aí..."
Tínhamos uma grana pro táxi e negociamos: Vamos comprar uma dúzia de latinhas e seguimos a pé. Não sabíamos o quanto era longe, acho que uns 3 km e acabamos com todas as cervejas...
Duca Moobwa, um cara branco,canabico, 20 e poucos anos, de classe média, gesticulava e falava muito rápido, balançava os braços exageradamente, feito Neal Cassady. Com tantas tatuagens e andar descolado de estradeiro, roadie, Duca, se parecia em qualquer lugar do planeta como um cara que tem uma banda de rock e ele tinha mesmo: Uma aparência inconfundível. E segredou, Cara, tenho um plano de jogar sem regras contra a sociedade, não sei fazer nada além de tocar guitarra e rock’n’roll....confesso que não entendi mas assenti, não iria medrar pelo silencio.
Quando acabaram as cervejas mas nao a sede, recordei um conto do Caio Fernando Abreu, do livro Morangos Mofados, em que o cara vai ao encontro do seu amor, e cai. Chovia muito e quebra a garrafa de conhaque e fica com vergonha de chegar com cheiro de álcool. Quando chega lá, ele bate, bate, bate na porta e... Como se chama o meu amor mesmo? Ele esquece o nome!!! É a cara das letras do Arnaldo, principalmente nas músicas que ele fez com a Patrulha do Espaço e Singing Alone, com seu palavrório assombroso, como se a sua integridade psíquica estivesse por desabar:
“...Hoje de amanhã eu acordei e pensei onde esta o arco íris?
Já não sei se voce é o arco íris
baby
Acordei sozinho e pensei: preciso de dinheiro
Já não sei se voce é o dinheiro
Será que baby sou eu?
Será q baby é vc?...Sera que Baby e Deus?
...É um pouco assustador, não é?...sexy,sexy sua, sexy sexy nos ouvidos...posso até me suicidar até o sol raiar...”
 
Lembrei da primeira audição do recente CD do Arnaldo, Let it Bed, na casa do Lobão, em que nos emocionamos, eu e Liege, ao ouvir " Bailarina", uma bossa jobiniana ( não uma dança fortuita), com letra e fatos experimentais caóticos que na lingua ‘arnaldês’ ficam tão simples, mesmo desconstruindo tudo:

me dá o prazer de ser mortal-imortal...

Fiquei extremamente feliz e pensei que isso não poderia ser um ato solitário, a minha felicidade tinha que ser compactuada , eu precisava dividir com todos e eu falava e falava das músicas e o cd saiu quase um ano depois. Me lembro de uma audição com os integrantes da banda Cachorro Grande e Lobão e o Fernando Sr. F em Brasília, todos extasiados com o cd.  
Eu tinha vontade de perguntar para o Arnaldo sua orientação religiosa,fiquei curioso após ouvir L.S.D. em que ele diz, numa defesa profana: Louvado Seja Deus que nos deu o rock n´roll...Recentemente, Lucinha me disse que ele era ateu apesar de evocar tanto Deus nas suas músicas, “ se eu posso pensar que Deus sou eu e bruuuuuuuu....” em “ Balada do Louco”. Deus parecia seu objeto de obsessão, como se o Principio fundador, onipresente, também responsável pelo rocknroll, o cosmo virando caos de novo. A regravação dessa musica no Disco Voador potencializa com emoção exacerbada e angustiada, num disco com precários equipamentos técnicos em que o produtor Calanca escreveu em letras garrafais na contra-capa: Somente para Fãs. Arnaldo, perpetuamente brandindo sua procura, dando bandeira do pic-esconde entre Deus e ele. Ali, num impulso solitário mais uma vez ele grava sozinho todos os instrumentos. Lobão que recentemente gravou assim o cd “Canções Dentro da Noite Escura”, ao ser perguntado por um jornalista como era tocar todos os instrumentos, se não era solitário demais, ele disse, Mas um pintor também não faz seus quadros sozinho...?
Arnaldo fez um desenho pro Lobão, com as incriçoes: Lá Si Dó, sua eterna obsessão pela brincadeira, trocadilho, LSD. Sempre Deus e o acido lisérgico nas suas letras...só quem experimentou pode entender o seu recado. Deus e rock’n’roll. Deus e acido, complementares ou feroz antagonismo? Sua busca quixotesca por Deus? Ou deus?
JESUS... BACK TO THE WORLD....
Mais citacoes em Tacape: ‘por seu amor esqueço até de Deus...

Mas o papo fluía e não queria estar ali com papo inquisidor e afinal fomos lá para beber e matar as saudades.Nos falamos por e-mail quase diariamente há dois anos e eu sentia muitas saudades deles,me sentia feliz em ver os olhos de admiração e amor de Lucinha... a felicidade a fazia luminosa. “deve ser amor que estou sentindo, ´so pode ser amor que estou sentindo, yeah..”
Recomendei ao Duca pra não ficar esmiuçando o passado e tal, falando de Rita Lee....e assim que começamos a conversar eu disse que iria nascer minha primeira neta, Clara Peticov, e Arnaldo recordou que o Antonio Peticov, que foi também seu empresário, foi o cara que fez aquela famosa calça de couro que está na capa do Lóki? Daí falamos sobre o festival de São Lourenço, onde Lucinha disse te-lo conhececido e foi um pulo pra Rita: o André Peticov, avô da Clara! fez a capa do melhor disco de Rita, pré-Roberto de Carvalho: “ Atrás do porto tem uma cidade”....e não paramos mais de falar do passado...Então Arnaldo foi até o equipamento de som e trocou o disco do Queen pelo novo do Pato Fu e cantava todas as letras.

Depois de nos mostrar seus desenhos e camisetas, bebemos e fumamos e convencemos todos a irem ao show da Orquestra Imperial, após acabarmos todo seu estoque de cigarros e de cervejas.
Chegamos.
Foi mágico circular pelo salão onde todos queriam cumprimentar o cara. No camarim todos os músicos queriam vê-lo, conversar, acho que os mais novos nunca deviam te-lo visto. Arnaldo me perguntou quem era o Moreno, filho do Caetano veloso e os apresentei. Fiquei orgulhoso por estar em sua companhia, por conviver no mesmo espaço com um cara de sua dimensão histórica e musical, um verdadeiro outsider, sempre esteve a margem, desde O Seis, dos Mutantes e de sua carreira solo.
Pensei isso hoje: Os Mutantes não acabaram. Nesse exato momento em varias partes do mundo tem alguém ouvindo Mutantes, numa orgia perpétua. Só que Sérgio, Rita e Arnaldo não estão mais juntos, mas a sua musica esta tão presente com músicos diversos como Beck, Curt Cobain, Sean Lennon, David Byrne...
A revista inglesa Mojo os colocou em 12º lugar, numa lista dos “ 50 Most Out There Álbuns of All Time” ( os 50 discos mais experimentais de todos os tempos), ficando à frente de Pink Floyd, Beatles e Frank Zappa! Como bem descreveu o jornalista Will Hodgkinson, “ os Mutantes eram adolescentes brasileiros do LSD que descontruíram Beatles para reconstruí-los novamente..."
Recentemente a canção Minha Menina foi regravada pela banda britânica The Bees em seu primeiro disco, Sunshine Hit Me.
Nesse show que os Mutantes fizeram agora em Londres com os três originais, Arnaldo, Sergio e Dinho e Zélia Duncan nos vocais, a revista Time Out os chamou de “ a maior banda psicodélica de todos os tempos”.
Voltando ao Let It Bed: O cd foi aclamado em diversas partes mundo, por críticos e revistas especializadas de rock como o site Euro Club de Jazz pelo jornalista Bruce Gilman.
Ali, após anos sem gravar, mas experimentando sons em casa e estudando e lendo sobre física quântica, na minha opinião, Let it Bed é sua experiência de pico, seu nirvana musical. Um cd que funciona com um I Ching, que deveria ser vendido em farmácia, antídoto pré-depressisvo em que Arnaldo voa e coloca toda a sua linguagem peseudo-caotica (altamente subjetiva) sem freios. Nesse cd ele não fala português, ele apenas usa a língua como referencia, ele fala Arnaldês, uma língua pra iniciados, que se parece com o português mas não tem a amarras dessa língua. Língua, essa, que só quem ouviu Loki? Exaustivamente conhece e logo se identifica.
Voltando.
Levei alguns drinks pra eles que foram pra platéia superior assistir aos sambas psicodélicos da Orquestra. Numa dessas vezes em que voltei a Vera me disse que eles tinham ido embora. O Berna que é o maestro da Orquestra, havia acabado de convida-lo pra uma canja, fiquei pensando em como seria Lóki? tocado com tantos instrumentos...fica pra próxima!

Fica aqui registrado a força gravítica que a música do Arnaldo exerce sobre a minha vida desde os 13 anos e também, obviamente, o amor que sinto por ele e Lucinha.


Escrito ao som exaustivo, no maximo volume, do cd Let It Bed. Procure fazer o mesmo e viaje. ( Louvado Seja Deus!)

Tuesday, November 21, 2006

DupraT


Duprat se foi! O pirata de todos os signos!
Acordei com essa noticia. Peguei todos vinis  dos Mutantes e saí pela Niemeyr chuvosa. Nos ouvidos uma canção hippie em que Gal dizia e eu sampleava: Meus dedos cheio de anéis e minhas calças vermelha de Flash Gordon.
Fui ouvindo tudo o que tinha do Duprat. Passo a passo, um por um, cada disco me remetendo obviamente à minha atribulada vida afetiva, tantos casamentos...
 Me lembro quendo ouvi o primeiro Lp dos Mutantes aos 13 anos. A cara da minha mãe, imagina! Mais assustada que eu. Quem são esses caras? E Panis et Circencis com a rotação terminando como se houvesse caído a energia elétrica. Nessa época eu namorava Lucylle, então com 12 anos e ela era obrigada a ouvir diariamente comigo todos os discos dos tropicalistas.
Havia  um Lp do Gil em que Duprat fazia uma colagem sonora de guitarras do Serginho Dias com maracatus e  frevos e um som típico de banda do interior.
Ele foi sempre cultuado, na mídia paralela, como o George Martin dos Mutantes. Pra quem não sabe, Martin foi o maestro, arranjador, que produziu os melhores discos dos Beatles.
No inicio da década de de 90 ele veio ao Brasil e fez uma apresentação aqui no Rio, na Quinta da Boa Vista, ao lado do zoológico. Eu passava por uma crise no meu segundo casamento, uma de tantas...aí no meio do show cheguei pra Sara e disse: Seguinte, to pedindo demissão do nosso casamento.Ela espantada, Como assim? É, to saindo, tenho outros objetivos, quero ter uma filha e tal, voce não quer...
Foi muito difícil, penoso continuar aquele assunto: Eu dizia, sem convicção: As contas são minhas, os filhos são nossos, os vacilos e pecado todos meus (meus amores).  Foram quase duas horas ouvindo aqueles belíssimos arranjos dos Beatles e minhas, (suas) lágrimas se confundiam com a emoção do show e o impacto, o dado imprevisível, o pedido de distrato de casamento. Os pecados e os vacilos sempe meus....Além disso tudo chovia muito e as lágrimas....
Nós dois sempre fomos assim, a primeira vez que pedi Sara em casamento foi num super-mercado. Sim, nós casamos algumas vezes. E era lá, no meio das compras que a convenci de voltar pra mim algumas vezes...
 
Bom, voltando ao asunto principal: Rogério Duprat, arranjador do disco Tropicália, o petardo inicial do movimento, onde mistura guitarras elétricas ( na época um sacrilégio) com cordas, foi eleito muso-maetro dos tropicalistas. Participou de todas as gravações, nesse período, dos baianos Tom Zé, Caetano Veloso e Gilberto Gil e nas carreiras dos Mutantes e também no primeiro disco solo do Arnaldo Baptista, Loki? Onde os sintetizadores se misturam aos seus arranjos alquímicos. Loki? foi considerado um marco, muito mais pela ousadia de gravar quase tudo num take só (sem emendas)e pelo tom confessional , do que pela própria sonoridade Elton John que Arnaldo vinha ouvindo. Ali, na faixa Uma pessoa só, Rogério Duprat desconstroe tudo, as cordas sobem o volume, a balada se torna quase um rapp, com Arnaldo e suas frases ininteligíveis num discurso bombastico...Era difícil alguém entender essa sonoridade Duprat- Frank Zappeana em 74!
Duprat, conhecido como gênio recluso, nasceu no Rio e se mudou pra Sp em 55. Virulento, já na capa do Tropicália, onde segurava um penico como se fosse uma xicara, ao lado de Torquato Neto, Mutantes, Nara Leão, Caetano,Gil e Tom Zé. Anos depois ele regeu o confuso transito de São Paulo deixando perpelexos tanto  pedestres quanto os motoristas!
 
Rogério Duprat continuou desafinando o coro dos contentes até quando já não ouvia mais e se isolou num sitio no interior de São Paulo e mesmo assim continuou produzindo jingles e algumas musicas para Lulu Santos e Rita Lee na década de 90.
Saudades de seu som e de sua ousadia!

Lucylle me abandonou em 86, após o colapso da relação de mais de 10 anos, na praça Nossa Senhora da Paz, Ipanema, deixou um filho de quase dois anos que Sara me ajudou a criar.
Após idas e vindas, com Sara,  em 2002 quando fui tirar a segunda via do meu RG, para meu espanto, na hora de preencher o formulario descobri que ela havia se divorciado de mim à revelia!
Minha estória com ela(s) terminou ali, mas o som não. Continuo ouvindo Duprat, Zappa e  George Martin, mas nao consegui realizar o meu sonho ( imagino de muitas pessoas) de ve-lo regendo os Mutantes, ao vivo, agora dia 25 de janeiro do proximo ano, numa praca publica em Sao Paulo!

 

Saturday, November 18, 2006

Carta aberta a Inajara!



Fevereiro/2003

INAJARA

Eu falo de amor e da perda, sempre, do sofrimento; vc sabe o que é ver o seu amor nos braços de um outro qualquer?
Falo da perda da individualidade, quando você ama tanto que já não se vê mais, não tem individualidade, quer tanto o outro, necessita tanto do outro, quer ver o mundo pelos olhos dele, entrar dentro dele, onde ele anda, o que come, com quem fala ao telefone, o que diz no telefone, o que escreve na Internet, o que faz em casa, e aí, a gente se esquece de si próprio e é a hora de parar, de se olhar no espelho e retornar a auto-estima, reaprendendo a amar.
Eu falo da perda de limites (pelo amor), dá desconstrução da identidade (de novo), do espelho que é você refletido do OUTRO, você pensa...
Eu falo do vazio que é estar sem o outro, a solidão e o silêncio, da falta de capacidade de se bastar, de ler um livro ou ir ao cinema, não nada disso importa quando você está tomada pelo amor excessivo. Eu falo da co-dependencia afetiva,voce ja nao come direito, dorme aos poucos, acorda na madrugada e lembra de uma cancao antiga da Dione Warwick, ou de Pablo Honey do Radiohead e chora e chora e chora e acorda com os olhos vermelhos e inchados.
Eu falo da posse dos pensamentos, do olhar, adivinhar seus movimentos, o que pensa, com quem ele sonha, com o que ele sonha...voce passa a procuracao de todos os seus atos... você tenta sair e não consegue, é como uma droga que te toma inteiro, entao você sabe o motivo porque pega os comprimidos pra dormir, doida que o dia acabe e que no próximo você receba um telefonema, uma mensagem na Internet dizendo, vem me ver,um torpedo celular... vem me ver, mas nada, a pessoa já está em outro lance e você não percebe, você não quer acreditar que o perdeu, todos seus amigos já sabem mas não podem te dizer e aí quer mudar de país, sair do planeta e de novo procura a caixa de anti-depressivos..
Eu falo do que falávamos na praia e sempre que estamos juntos, desde que nos conhecemos naquela viagem a pé pro Sul: do amor, da perda, de como é bom ser amado, quando o amor começa ele é igual pros dois e quando acaba sempre, quase sempre, termina pra um só e a gente sofre, procurando a alma gêmea pelos cantos... eu pergunto, alma gêmea é idêntica a gente ou aquela que te completa? Eu achei que tinha encontrado a tal, só que ela era a minha cara, meu espelho (naquele tempo!), canalha e irresponsável e egoísta com o amor...
Então você esquece tudo e pensa em encontrar um novo amor, vai ser tudo de novo? Vai amar aos poucos? Pode-se amar devagar e com medo? Existe isso? Aí você lembra de uma canção em que o João Bosco diz: o amor quando acontece a gente esquece que já sofreu um dia...
Esse texto é, obviamente prá ti e pra Tiza, que amou muito e nunca temeu nada.

Byra Dorneles
(Ex-calafate, ex-faxineiro da SQS 105 Brasília, é auto-didata e escritor diletante, mas quer sair do nicho)

Monday, August 14, 2006

CLARA PETICOV DORNELES


CLARA

Brancura de lírio...
Eu vi você no sonho e era assim
Seus dedos finos e longos de pianista
seu nariz e boca do pai, avô e bisavô: todos os Miguéis e Tio-Migas...
Sua pele branca
Branca
Branca
Sua tez branca de sua mãe judia não-ortodoxa. Dhimmi,
Seus cabelos encoracolados dos mulatos Dorneles

Clara! Te vi assim
Nascendo com luz nesse mundo mágico e assombroso em que vivemos
De guerras, aculturação, falsas ideologias, e culturas interneticas fakes.

Cada criança que vem ao mundo
Ignora por completo as mentiras que os homens inventam a respeito de tudo e sabem que o mundo não é só isso que se vê
Cada criança que nasce me suscita isso:
Revolucao
Um ser, uma flor que brota no asfalto
Tentando
Se movimentando pra mudar o mundo,
Parar o mundo.
Não que eu não tente a Revolução e queira te passar essa função, Clara
Sei que podem sempre nos chamar de Quixotes magistrais
Mas te vejo nascendo
Como uma aliada, Clara
Nessa guerra não-declarada
Nessa ditadura não-declarada, nessa ditadura cor de rosa...
Te vejo como cúmplice, Clara, porque te amo.
Eu te aguardo com pressa de libriano, pensando,
Que mistérios terá Clara?

“ ...uma só lua se reflete em todas as águas
e todas as luas refletidas nas águas
se originam de uma só Lua...”
Yoko Daishi

Clara Peticov Dorneles nasceu dia 21 de outubro as 11.39 com nota 9 e confirmou o meu sonho

Sunday, August 06, 2006

free free michael jackson free...


Estava lendo sobre Michael Jackson, essas ultimas noticias...e é quase impossível eu falar dele sem falar de mim.Na realidade sou sempre auto-referencia e acabo falando de mim quando vou escrever algo.Detalhe: não sou pedófilo! Estou lendo agora o livro “31 Cançoes” do Nick Hornby e posso garantir que se eu fizesse uma lista teria pelo menos uma musica do Miko. Talvez “I’ll be there” ou “Billy Jean”, não sei.
Temos quase a mesma idade e lembro dele com uns sete anos dançando com os irmãos na TV ... aí eu cresci e parei de ouvi-lo e ele não. Parou de crescer. Criou seu castelo do Peter Pan, a Terra do Nunca Mais, se trancou lá com todos seus sonhos e acreditou neles todos.Imagino a solidão que dever ser sua vida, o contrato de tristeza que assinou com seu sucesso, perpetuamente intoxicado...Conversava com um amigo na praia um dia desses e comentamos: Miko deveria ganhar o Premio Nobel da Paz por todos seus feitos, suas ações, pela sua canção na década de 80, We are the world...você tem noção de quantos mil dólares eles levantaram com isso? Pois é, ninguém lembra disso, querem só comentar o fato dele ser pedófilo e excêntrico e viver o seu mundo. Quantas pessoas brancas vivem torrando no sol e quantos brancos fazem dreads pra parecer negro?...Mas não, Miko não pode operar o nariz e querer ser branco, é proibido porque ele é preto, puro preconceito, cada um faz o que quiser com seu corpo.É proibido proibir. Não tem uns caras que se tatuam todos, até no rosto? Porque MIko, não?
Se é pra criminalizar alguém, prendam todos: comecem pelos pais, que desde a década passada já sabiam desses hábitos infantis do Miko...depois acione as “crianças”...12 anos e não distingue sua sexualidade? Suco de Jesus? Nessa idade eu já sabia bem distinguir um ácido de uma anfetamina!Soube que estão em debates novas leis nos Estados Unidos pra penalizar adolescentes criminosos, não seria esse o caso? Fala sério, desde os 6 anos eu tenho noção de minha sexualidade! Os pais e os meninos estão se aproveitando da fragilidade e poder financeiro de Miko, todos se aproveitaram...ele pagou hospital, curou o câncer do menino, deu de presente um relógio de U$ 75.000 e....
'Não era algo sexual. Dormíamos. Eu os cobria, punha um pouco de música e lia um livro', disse ele ao jornalista. 'Era algo realmente encantador e doce".
No principio, quando o garoto tinha 12 anos isso era bonito, o menino devia achar isso...quando ele conseguiu a grana e atenção que queria e foi discriminado na escola, quando o mundo viu aquele programa de Tv em q ele descreveu isso, e ele já estava com 15 anos, aí não. Michael se aproveitou dele(?)...é óbvio que o menino gostou e é óbvio que Michael dorme com seus amiguinhos e tem uma conduta lasciva com crianças e é óbvio que todos os pais sabem disso e se aproveitam...então o que sobra? Hipocrisia cristã católica e caótica....Michael sofre ataques constantes da imprensa,vítima de perseguição, por ser perdulário e por seus gastos compulsivos de milhões de dólares em lojas de brinquedos e tal, mas o dinheiro é dele, ele não roubou ninguém, simplesmente fez um trabalho impactante na década 80, sua experiencia de pico, acho que foi Triller, sem duvida... e passou anos pesquisando sons e arranjos com o maestro Quincy Jones e vendeu mais de 100 milhões de cds no mundo todo! Ele tem o direito de gastar sua fortuna com o que quiser!
Concluindo: Michael tem que ser respeitado, como um homem ( branco ou preto, não importa sua cor) que está a frente de seu tempo, com sua musica e sua vida. Daqui a 50 anos essas acusações maniqueístas serão motivos de pilhéria, como foi a queima de bruxas na Idade Média. Quando toda a moral cristã falida e reacionária estiver extinguida.
O Principio do prazer.
Deixa o cara viver!
Tem uma canção no disco novo do Lobão que me remete a isso tudo e me faz pensar em como deve ser difícil estar sozinho, não ter amigos e os pais sempre tão distantes:

“Pra mim o mundo é só mais um quarto escuro.”(Lobão)

http://www.flogao.com.br

Friday, June 16, 2006

Droga é legal, o homem que não é.


Domingo passado estava conversando com um amigo meu que é musico e constatei algo que penso há anos: droga é legal! Pense em toda a obra dos Stones, Brown Sugar na década de 70 e dos Doors, se não houvesse drogas. Sem apologia , eu só uso drogas ilegais duas vezes ao ano, no meu aniversario e no reveillon, mas fico pensando...Cabeça de Dinossauro dos Titãs, sem o Arnaldo Antunes drogado, seria possível? Sgt. Peppers, dos Beatles sem ácido lisérgico? Rimbaud...? Uivo do Allen Ginsberg? As portas de Percepção de Aldous Huxley sem drogas? Flashbacks, de Timothy Leary? O A E O Z, dos Mutantes? Meu amigo dizia: “sou um homem! Como é que é!? Alguém ou o sistema vai me dizer o que eu devo comer ou beber? A maconha é meu samba!” A proibição provém justamente do medo que ‘eles’ têm da máquina parar de funcionar e de que todos acabem com sua rotina febril e estagnante, de que nasça uma nova ordem em que os princípios cristãos caóticos e caducos venham ser questionados. A partir do momento que a sociedade rotula a pessoa de ‘viciado’ ele é excluido de uma possível participação e é discriminado. Ralph Emerson, que nasceu em 1803, usava haxixe e ópio e defendia um sistema de idéias basicamente fundamentado na individualidade, crescimento interior, autoconfiança e rejeição à autoridade, instigando assim, as pessoas a procurar um Deus interior e abandonar o cristianismo. Qual a importancia das drogas? Elas são usadas desde que o mundo é mundo! Qual o medo que elas despertam? Na Hollanda e alguns bairros de Londres tem espaços liberados pra seu uso com controle da sociedade e não tem casos de violência ou quaisquer distúrbios. Nesses casos acima em que cito alguns artistas que usaram e fizeram obras maravilhosas, alguém pode argumentar referindo-se às mortes de overdose e tal....É por isso que digo que a droga é legal e como o homem é que não sabe manipular e perde o controle, se Freud conseguisse conter sua fome de cocaína talvez chegasse a resultados enormes.Se Hendrix não se chapasse daquela maneira não teria morrido de sufocamento pelo vômito...Janis Joplin estava acostumada com uma dose de heroína sarapa e naquele dia fatal veio uma carga muito pura e...Elis Regina me parece que foi a mesma coisa... Recentemente, em 2003 houve um congresso aqui no Brasil, chamado Narco News, no qual um professor norte-americano, Robert Stephens, tentando espalhar o medo, como fizeram em 1937 quando foi proibida a maconha nos EUA, querendo apertar o cerco aos usuários e tambem visando aqui, a implantação de clínicas de ‘tratamento’, (esse terrorismo chamado de justiça terapêutica), fez varias falsas afirmações sobre a droga:
1 - causa insônia
2 - náusea
3 - nervosismo
4 - ansiedade e perda de apetite(!!!)
É claro que foi desmascarado lá mesmo na terra dele, imagine aqui, dizer que maconha provoca insônia e perda de apetite! No mínimo ele nunca experimentou!

Alguns nomes históricos que usaram/pesquisaram drogas: Carlos Castaneda, Aleister Crowley, William Burroughs, James Joyce, Ken Kesey, Torquato Neto, Alan Watts, Lennon, Paolo Mantegazza, Sergio Sampaio, Miles Davis, Jim Morrison, Keith Richards, Raul Seixas, Mick Jagger, Tim Maia, Jerry Rubin, Eduardo Bueno, Abbie Hoffman, Kurt Cobain, Arnaldo Baptista, Albert Hoffman, Allen Ginberg, Timothy Leary, Arnaldo Antunes;
Concluindo, vamos usar todas as drogas, plantas, com responsabilidade e moderação pois seu uso pode causar dependência, pensando que é fundamental:

1- Construir seu próprio e desfrutável universo
2 - Pense por si mesmo e questione a autoridade, como disse Burroughs: “ Na verdade, tudo é permitido”.
3 - “ O fato de todo homem e toda mulher ser uma estrela”.

Eu não posso causar Mal nenhum a não ser a mim mesmo...(Lobão e Cazuza)

*Byra Dorneles (Auto-didata, ex-calafate e estuda sobre drogas desde os 13 anos)
Base do texto: www.narconews.com
"Flashbacks" de Timothy Leary.
ILUSTRAÇÃO: ADÃO ITURRUSGARAI
HELP LUXUOSO: CYNTHIA LAVOIE

ABOUT ME E TORQUATO


ABOUT ME E TORQUATO NETO










Abri uma cerveja e mais outra e eu queria mais e me flagrei de uma coisa que o Torquato Neto disse: o alcool é pra mim o que é a coca e o piau pra alguns...e eu sou radical em relaçao à coca , mas é a mesma coisa: a birita vai me levar pro hospício. Minhas idéias estão embaralhadas, esqueço de tudo, ando com papel e caneta no bolso e escrevo tudo, dois minutos depois não lembro mais....Na sexta passada me deu um branco e fiquei quase uma hora a deriva, tipo bad trip de ácido...com as lembranças feito estilhaços ma minha cabeça... Sei, como disse Nietzche, “Nós, os novos, os sem nome, os difíceis de serem entendidos, os filhos prematuros de um futuro ainda não demonstrado, temos a necessidade, para um novo objetivo, de um novo meio, quer dizer, de uma nova saúde, uma saúde mais forte mais afinada mais tenaz mais ousada mais divertida do que todas as saúdes conseguiram ser ate agora...”. Sei que citar Nietzche é um pouco de ousadia, mas é assim que me sinto em relação ao álcool, é meu aliado nesse sentido...e Nietzche fala em saúde uma saúde mais forte e tudo, sem uma vírgula, de uma vez.... Fui pra análise, passei anos lá e resolvi algumas questões, mudei minha relação com o álcool, mas largar ele mesmo, jamais. Sou um observador do tempo, não fico de bobeira e sei que é extramamente prazeiroso estar aqui e agora e presto atenção e medito e faço a respiração certa, mas o álcool não largo. Aí me deparo com um texto do Torquato dizendo: eu não percebia que o álcool é a mesma coisa do vício do pico e pode me levar pro hospício... Eu sempre tentei levar uma vida outsider e criei meus filhos assim e fugi da escola e do serviço militar obrigatorio, quase rasguei minha identidade, quase fugi do país num trem fantasma via Bolívia, quase fui pai aos 17 e nessa epoca o álcool não era tão importante pra mim e eu também adorava ácido lisérgico e cogumelos, mas essas drogas não provocam dependência como o álcool e anfetaminas. Eu tenho medo de ir parar no hospício e é por isso que estou aqui escrevendo isso pros amigos, assim como um testemunho, deixando bem claro que de qualquer maneira não sinto a menor vontade de largar o álcool por mais medo que eu tenha de ir pro hospício como Torquato. “Se quiser samba, faça. Se quiser culpa, curta. Mas assim: abaixo a psiquiatria” . Mais uma vez, Torquato. Asfixia: é assim que me sinto quando ligo o rádio, eu não consigo mais ouvir rádio ou Tv; isso, eu ouço Tv, não vejo. Tudo o que escuto não toca mais em lugar nenhum e o que eu pensava ano passado se tornou velho , o que eu ouvia em janeiro não ouço mais, não consigo ouvir Mpb de jeito nenhum, eu que gostava tanto, é só Paulinho da Viola e uma frase apocalíptica dele: eu não vivo do passado, o passado é que vive em mim.... Eu usava pseudônimo pra escrever meus textos e soube que no século passado os artistas chegavam a ter 40 alter-egos, Fernando Pessoa foi um desses, eu usava FlyBlue e Mazarem, até por que eu falava sobre drogas (sem apologia, acho que todos tem o dever e direito de experimentar tudo) e eu me escondia, até que um dia eu disse, basta, e assumo tudo: tudo que eu escrevo, escrevo pra mim mesmo, sou meu próprio objeto de desejo.. Eu dispunha respostas pras todas questões, agora perdi todas as certezas e não me preocupo mais com isso, renasço todo dia com uma duvida e uma certeza a menos: todo dia é dia D... Fico com o frescor da duvida, a certeza da certeza faz o louco gritar e eu não grito mais, apenas abro mais uma cerveja e penso na morte como aliada, é assim mesmo, a morte é meu aliado pois é ela que me impulsiona, me joga no mundo, é com o medo que eu procuro me situar nesse tempo fantástico e deslumbrante que vivo, garimpando sonhos acordado. E o álcool apesar de todo esse medo que tenho de ir pro hospício como Torquato e Sergio Sampaio e Rimbaud é também um aliado....Será meu aliado enquanto eu estiver no comando das minhas ações, eu é que uso o álcool não ele me usa, como bem disse Bukowski....ah, sim, ele...Acho que nenhum garoto de 16 anos devia ler Bukowski, ele me incentivou muito meu vício, mas eu tinha 26 anos quando li "Mulheres" e estava saindo do segundo casamento e era o ano do primeiro Rock In Rio, nunca vou esquecer o prazer anti-cívico que tinha de jogar as latas pela janela do ônibus, ele falava demais nisso nos seus textos e aqui só saiu a primeira cerveja one-way em 85, no ano da graça do primeiro Rock In Rio! Tenho vontade de mandar isso pro meu pai e pro meu irmão Paztor e pro Leozinho - por que tudo foi escrito ao som altíssimo do Radiohead .( mas tenho medo deles acharem que estou enlouquecendo).
Paz, dê uma chance!Como Cole Porter e Torquato Neto devo abrir o gás, tomar champagne ou cianureto?

Wednesday, November 02, 2005

Samsara











! Samsara!

Olhos de ressaca.Voce tem olhos de ressaca.
Foi assim que começamos nosso dialogo, eu e Sophie. Eu não sei quem falava mais, eu ou ela! Como? Ressaca? Isso é ruim? Olhos caídos, cansados, de ressaca? ela perguntava... Ri e respondi: não, de ressaca, mar revolto, Tsumani, avassalador, destruidor...voce tem uma força que me arrasta para dentro dos seus olhos, e pra não perder o controle, pra não ser arrastado e tragado,me agarrei às suas palavras.
Olhos de ressaca, olhos de cão azul, e continuei rindo da desconfiança de Sophie, filha de minha namorada, Fedra.

A noite mal começava em São Paulo...Somos amigos de longa data e era prazeiroso estar ali e como sempre veio a baila o mesmo assunto: Deus. No primeiro semestre após reler Nietzche me tornei ateu, mas me benzo antes de dormir e foram meses difíceis, pensei. Será que o ‘Cara’ esta me testando?...Piva ria. Eu e Fedra lemos o Saramago metendo o pau em Deus, e sempre era assim “ Ele”, “Deus, o “Cara”...até na hora de desacreditarmos Nele, colocamos ‘Seu’ nome em maiúsculas...Deus não foi desinventado por Nietzche? A cerveja rolava e a noite fluía com tantos amigos e saudades.
Vou ser pai novamente e não quero que minha filha passe nem em frente a uma igreja, as crianças não deveriam ser batizadas, a igreja é um cancro, “igreja pra quem precisa”...nós não precisamos....Clara! não precisará. nao ter aberto meus olhos nesse sentido foi um grande erro, perdi muito tempo atrás ‘Dele’....perdi meu tempo...nao quero que minha filha repita esse erro...Nicolau V na Idade Média assinou uma lei criando todo o império escravagista...A igreja proibia cirurgia, que se abrisse o corpo humano.

“ A cegueira ante o Cristianismo é o crime par excellence- o crime contra a vida- o cristão foi ate agora, o “ser moral”...mais absurdo, falso, vaidoso, leviano, mais prejudicial a si mesmo do que o maior dentre os desprezadores da humanidade jamais ousaria sonhar...”

Continuamos nossa noite bebendo e nos reencontrando: eu insistia com o Pablo Lima, Fedra, Lili, Fara, Piva, Sophie e Zigg- a igreja, a religião ,pra quem precisa? como disse Arnaldo Antunes- talvez se não houvesse esse sentimento religioso, dogmático, essas pessoas ( que precisam de policia e de igreja) fossem mais violentas? não sei, não quero ser preconceituoso- o bem e o mal- pode ser delírio meu, eu odeio policia e igreja. Piva assentiu. Todos os cidadãos-policiais do mundo. Zigg, meu filho, cristão(?), semi-pagao, sem ter feito a primeira comunhão e nem ter se batizado passava a mão em seus cachos e Fara, sua mulher me olhava. Eu sacava a dúvida judia nos seus olhos de bilhas me fitando.
“Uma coisa que não tem nome,essa coisa é o que somos...”.

“ a moral cristã- a forma mais maligna da vontade de mentira,a verdadeira Circe da humanidade: AQUILO QUE DETERIOROU...”

O fato de sermos afuncionais irrita setores da sociedade, do estabelecido, nós percebemos isso- e o que me deixa feliz apesar de toda a hipocrisia vigente é que nos tornamos ‘diferentes’, criamos nossa própria sociedade sem culpa cristã, nossos filhos podem circular em todos segmentos da sociedade sem preconceito, podem usufruir de tudo que o “ sistema” – com aspas mesmo- oferece e vivemos sem aquela culpa e não somos os “hippies” dos anos 60 que negavam a sociedade de consumo, pelo contrario, queremos tudo que ‘eles’ podem nos oferecer- mas não temos o comprometimento de compactuarmos com tudo...Percebi que todos nós, nessa mesa, eramos profisionais autônomos, ninguém tinha vinculo empregatício e portanto não tínhamos hora pra acordar no dia seguinte...Sophie ouvia atenta e agora percebia até onde queriamos chegar. Eu vou tratorizar o que eu puder do “sistema” mas não vou abrir mão de usa-lo e Clara! vai nascer nessa família com esse dogma.
Clara! Peticov Dorneles!

Estive com Arnaldo Baptista ( dos Mutantes) e Lucinha e Vera em BH e lhes contei como estava orgulhoso desse encontro histórico de situações.O Antonio Peticov, que será tio de Clara, foi o primeiro empresário dos Mutantes. Descobri pelo biografo do Arnaldo Baptista que eu fui o cara que esteve em três eventos dos Mutantes, mas isso é outra historia...E o fato de nascer minha filha, Clara, agora em outubro me suscitou tudo isso...
Fedra insistia, e o budismo? A anulação do ego? Você leu Bhagavadgita? Jogou I Ching?...eu me lembro quando o Galvão (poeta e bêbado das calçadas e mentor do Novos Baianos) dizia que todo mendigo era um yogue de ouvido.E penso assim: o nirvana de um yogue,o must de um budista é a aniquilaçao do ego. O cara passa anos meditando e comendo arroz integral e tentando aniquilar o ego e cantando aquele mantra em que ele só pronuncia a palavra OM. E, naquele momento que ele atinge o Nirvana, em que ele se ilumina? Em que ele fica UM com universo, Um com toda a humanidade. Em que ele é o Pai, o filho e o Espírito Santo. Santissima Trindade. Em que todos os mistérios são desvendados e não há mais mistério nenhum. Em que a Nova Era vislumbra à sua frente. Em que ele se sente perdoado por todos os erros, em que o pecado original não significa mais nada, em que ele se torna UM com o Cosmos( e Damião). Nesse momento em que ele é amor da cabeça aos pés.... Como fica o ego? Ele sabe que atingiu o Nirvana? O ego fica cheio de moral? Lili ria, ante o conflito, me perguntava,” e aí como é que fica?” Será que ele retorna tudo, volta ao “S” , continua a comer só arroz integral e meditar 24 horas por dia? Um mendigo será mesmo um yogue de ouvido, Galvão? Um mendigo? “você pode ate dançar com Damião, mas quem contrariar a lei dos cosmos não vai pagar, já paga ao contrariar...”
Pablo continuava instigando a conversa sobre deus
( agora já, com todo o respeito, com minúsculas):
-você se sentiu ameaçado quando Nieztche desinven tou ele? Disfarcei meu ‘medo’ e falei sobre uma conversa que tive com o Lobão. Se não houvesse a intervenção da Igreja na sociedade, o peso do obscurantismo, a caça às bruxas,o homem teria pisado na Lua pelo menos 900 antes, por volta do ano 1000. Daí você pode imaginar quanto tempo perdemos,a perda histórica quando Galileu em 1616, teve que mentir que a Terra não era centro do universo pra não ser queimado pela “santa igreja”. Teve boa parte de sua obra censurada pela Igreja em todos paises cristãos e só recentemente o Vaticano liberou.

Zigg e Fara escutavam todo nosso papo torto sobre o colapso da religião e aí foi citado uma frase do Torquato Neto que silenciou toda a Avenida Paulista e toda a sala:
“ Não se pode matar o príncipe e deixar vivo o Princípio”.


-Olhos de ressaca foi sampleado de Machado de Assis, Capitu.
-Todos os personagens são fictícios exceto Clara, eu e Deus, obviamente.
- as frases entre aspas são de Friedrich Nietzche, José Saramago e Galvão.

“ Todo bairro tem um louco
que o bairro trata bem
só falta mais um pouco
pra eu ser tratado também”
( Paulo Leminski)

( Espero que Perdizes me trate tão bem quanto o Leblon)

Saturday, May 21, 2005

sou poeta?


Sou poeta?

A minha poesia não rima amor com dor
Sofrer com querer
Lua com nua
Não
Não rima policia com milícia...
Porque eu parto, eu reparto
No comício ou no hospício.
E sinto ate hoje a prisão e escuridão do ventre materno.

A minha poesia se fala por si
Se escreve por si
Eu ‘ fico fora de si’ o tempo todo’
A minha loucura não passa por protótipos
Estereótipos
Arquétipos
Porque minha loucura é pessoal e controlada
E tudo o que eu quero é estar sempre no controle dos meus atos
A minha poesia não se escreve, não se fala
não se cala
Porque eu sou poesia da cabeça aos pés
Eu vivo no disfarce da minha poesia
‘ no tríplice mistério do stop’
no mini-misterio do Torquato Neto, dos Anjos, dos Tavinhos Paes e Teixeiras...
a minha poesia não tem disfarces, mascaras
porque ela tem a juventude e a força dos bêbados.

Essa poesia (?) é dedicada ao Migg pela audição madrugadeira no Vidigal dos Novos Baianos:
“ minha velha é louca por mim, só porque sou assim
meu pai, por sua vez, se liga na minha...”

Guanabara, inverno de 2001.
Foto by Duca Moobwa.
Lucinha, Byra e Arnaldo Baptista.

Sunday, May 15, 2005

Eu, Lili, Pyva e Mel...

Eu, Lili, Pyva e Mel e algumas questões durante um baile da Orquestra Imperial.

Quantas oportunidades você perdeu por não saber dançar?
Quantas vezes você dançou por não saber perder
?


“Eu gostaria que ela me ligasse de madrugada, me fizesse surpresa no trabalho, me enviasse e-mails pornograficos, brigasse com ciumes de mim, escandalos em locais publicos.”. Começamos assim a conversa num restaurante, eu, minha irmã e duas amigas, a Mel e Lili, em São Paulo, semana passada.
Não nos víamos há muito tempo e era prazeiroso estar ali em companhia agradável e o papo corria. Conversávamos, enquanto a Orquestra Imperial não começava o baile, e matávamos as saudades.

Sabe, quando você fala em publico e ninguém presta atenção, parece que o teu assunto é desimportante e tal... eu me sentia assim no passado, agora eu superei, tem que se falar um pouco mais alto e olhar nos olhos de qualquer pessoa, escolhe uma e vai.
Eu queria ser amado, ser mais amado, tem fita métrica pra amor?, se ama mais que o outro?, porque o amor começa junto pros dois e geralmente quando acaba, termina só pra um, porque o amor não morre junto, como começa...?

Essas questões pululavam na minha cabeça entre uma cerveja e assuntos do passado remoto, nos anos 80, quando nós todos ( Lili e Pyva e amigos), havíamos acampado numa ilha carioca: Era uma vez uma expedição com 3 moças, moças? E 3 rapazes...

Eu pensava no meu amor, acho que perdido...Falei com Pyva, era o terceiro ou quarto aniversario que eu recebia presentes em branco, livros sem dedicatória, cds lacrados, agendas e fotos em branco, como se eu fosse um fugitivo, um marginal, algo que devesse ser escondido. Eu pensava, mas não falava pra Lili, o amor devia ter acabado, e pra mim, a prova cabal era essa, presentes sem nada escrito, um oi ou alô, até mesmo só assinando seu nome eu já aceitava, e agora, nesse ultimo aniversario, ganhei o Budapest do Chico Buarque, que li em três dias, totalmente em branco... Pensava nisso entre um chopp e outro e os olhos esbugalhados da Lili, minha amiga portenha com sotaque sacana carioca que minha irmã havia lhe ensinado entre gírias e palavrões brasucas que ela levou um tempo pra entender: e aí, como é que fica? Ela se distraiu e bebemos todos no seu copo, de sacanagem , pois ela disse ter nojo de copos compartilhados...depois ,pra completar, colocamos um pouquinho de cerveja de todos copos no seu...Ela riu e fingiu ter gostado, mas acho que não tocou mais no chopp.

Fomos pro Clube União Fraterna e a Orquestra tocava musicas dançantes dos 60. Não sei dançar, mas o excesso de drinks me deu a coragem dos bêbados e dancei. Com Pyva, no inicio, depois com Mel e depois não sei mas com quem, tinha uma roda de mulheres e eu rodopiava no salão feito um profissional com total segurança e me sentia extremamente feliz.
Eu pensava nisso tudo, da falta de amor enquanto falava com Pyva e a orquestra tocava. Nesse momento eu totalmente drink, talvez gago, queria falar com ela e as frases saiam incompletas: No niver do nosso pai, aos 71 anos....ela não ouvia mais e eu não conseguia acabar a idéia...as frases ficavam no ar e queria falar como foi importante a festa do nosso pai, como me senti feliz com a família reunida, o meu amor secreto, ali, ao lado, com seus pais e eu não podendo falar ou abraça-la ...Ela não ouvia mais o que eu falava, o som alto abafava minhas palavras e você nunca sabe ou não quer ouvir o que fala um bêbado por mais que você goste dele...vira um monologo, solilóquio...Na festa de 71 anos do nosso pai ele tentou reunir todos os amigos, achando que essa seria sua ultima comemoração...ela não me ouvia mesmo e eu estava totalmente gago a esta altura.

Ela me perguntava, um simples presente em branco, sem dedicatória, seria prova de desamor?, eu não conseguia responder, e as minhas frases eram inconclusivas, eu queria dançar, já não queria mais falar sobre isso e como Jose Costa, em Budapeste, só sentia vontade de sair fora, pegar um bilhete aéreo e não falar nunca mais com ela, deixa-la no vácuo...mudar de país como Jose Costa e ser lido por sua mulher. Na minha família ninguém me lê, talvez meu pai, deixei uns manuscritos no seu aniversario, que ele comentou, são fortes seus textos, né? Eu brinquei: são todos inspirados em ti, maconha, masturbação, tara por mulheres mutiladas....
Há algum tempo eu desconfiava da minha desimportancia na sua vida, eu era apenas um cara que lhe telefonava todos os dias na mesma hora com o mesmo assunto chato, com as mesmas estórias e falava sem parar porque ela não falava nada e eu não gosto dos espaços que ficam, das pausas, quando voce fala ao telefone e eu falava sem parar, eu percebia isso...eu falava sempre dos filhos, reclamava com ela dos meninos e sei que ela não gostava, talvez por se sentir culpada, eles passaram metade da vida com ela e agora moravam comigo...e eu reclamava sempre deles, dos meninos, que não eram mais meninos.

Mel queria dançar, e eu retornei ao salão, um musico me chamou e um fotografo me cobrou atenção... E a editora de uma revista qualquer, Quem, talvez,queria dançar ou falar comigo sobre a banda, a incrível estória do maestro Célio Varanda, mas o álcool e a musica já estavam alto na minha cabeça e eu não queria mais saber de trabalho, cadê a Pyva, será que eu dancei com ela? Estaria na fila do bar? Tem mais cerveja? Furei a fila no bar. Eu precisava de mais um drink.

Outro dia eu comentei com ela que era melhor dar um tempo na relação...eu via sua falta de apetite sexual, quase não me ligava...e ela não gostou, se aborreceu, interrompeu o almoço num bar no Jardim Botanico, ficou um mal estar...isso foi segunda, hoje é quinta e ela ate agora não me ligou, caso não telefone ate sexta vou começar a retirar suas fotos da cortiça e apagar seus vestigios, estou cansado de mendigar seu amor...migalhas de telefonemas e nenhum eu te amo...Farei um embrulho com seus objetos, esperarei uns dez dias e entrego pelo correio...nao, vou ficar bem quieto, minha ação será a não ação, minha resposta pra ela será meu silencio. Isso. Bem quieto é melhor. Pra que dar valor a quem não te ama? Homem que é homem não chora quando a mulher vai embora.

Aí, falei ao ouvido da Mel, não sei se ela ouvia: Amor, Ordem e Progresso. O quê? Ela berrava. Amor, o quê? Eu repetia no seu ouvido: Nós, eu, Macalé, Carlos Minc, Gabeira, Mario Pacheco, Arnaldo Baptista, Alex Polari, estamos propondo a inclusão da palavra Amor na bandeira do Brasil. Como? Porquê? É isso. O amor como plataforma nas campanhas políticas, queremos que o amor seja citado entre tantas metas, como educação, e etc. O amor vem por principio, a ordem por base e o progresso é que deve vir por fim. O Principio do Prazer? O amor. Ah, legal. Acho que ela só entendeu o final. Vamos dançar? A Orquestra tocava “Sem compromisso” do Geraldo Pereira e eu me divertia: quando pára o samba, bate palma e pede bis...Voce só dança com ele e diz que é sem compromisso, é bom acabar com isso, não sou nenhum Pai João. Maravilha, eu rodopiava com a quinta ou nona parceira no salão e me sentia grande e bonito, poeta e loquaz, verboso, essas sensações que só o álcool que te dá e perdi Pyva de vista e eu precisava de mais uma cerveja

Eu deixava meus textos de bobeira sobre os móveis, pensando que talvez ela pudesse ler. Estava cansado de ler meus textos pra ela e esperava suas opiniões em vão. Enquanto eu lia alto, percebia sua desatenção, ela pensava noutra coisa, olhava pro nada e eu perdia meu tempo. Comecei a sentir um prazer mórbido nas leituras obrigatorias...As vezes brincava que iria argui-la após a leitura e ela morria de medo...dizia estar chapada e que aquele não era o momento. Ela fingia que lia, as vezes, talvez por eu falar tanto sobre eles, contar detalhes, quando estivessem prontos, ela já não tinha mais saco de ler. Eu enviava por e-mail, ela dizia que não abria arquivos atachados, seu micro era micro mesmo e não abria.Então eu passei a copiar e editar, ctr c, ctr v, e mandava aberto no corpo do e-mail, mesmo assim, não recebia o menor comentário seu...As vezes comentava um erro de portugues ali, um erro de digitação aqui, mas eu percebia que era como as pessoas que não te escutam e ficam apenas repetindo o final das frases, fingindo, falando sei, sei....Ela não percebia o quanto era importante a sua opinião.

Eu contava isso pra Lili que ria e me segredava situações sobre seu casamento e temporada na Itália. Há quantos anos nos conhecíamos? Comentei que talvez eu tivesse conhecido mais sua irmã do que ela, mas não sei sei isso com certeza...eram os nebulosos anos 80 que tento esquecer.
Mel. Finalmente avistei Mel. Quase não tinha falado com ela, acho que passei o jantar todo falando de mim e de mim mesmo, numa ego trip, num olhar de umbigo, não a ouvi falar sobre sua carreira. Sua musica. Seu novo grupo. A gente fica tanto tempo sem se ver e quando se encontra é um atropelamento de idéias e sei mais dela pelo seu site do que...
Falamos muito de Migg, meu filho, e nossa temporada no verão de 99 em Ubatuba, desvendamos estórias etílicas que ninguém imaginava e ficava feliz de estar ali com a amiga, eu via pelo brilho de seus olhos que era importante nos encontrarmos.

Eu bebi a água lavada de sua blusa, cheirei suas calcinhas usadas. Foi isso. Ela me enfeitiçou há anos, eu não conseguia esquecer nada que envolvesse ela. Nosso ultimo encontro, um almoço, na segunda no restaurante Jóia, no Jardim Botanico, uma comida que não comi, uma despedida fria, com um beijo sem graça. Hoje é sexta e não nos falamos mais. Não vou ligar pra ela. Meu silencio seria um acinte? Eu que ligava todos os dias, mas ela reclamou...

Lili me pedia pra contar pela enésima vez a estoria do quarto escuro, uma estória antiga que contei infinitas vezes na nossa expedição da Ilha Grande, era assim, Lili, você imagina que está num quarto totalmente escuro, e aí rola uma relação oral com alguém do mesmo sexo que voce não sabia- e gostou-, porque o quarto era realmente escuro, era uma brincadeira, um jogo, não podia passar a mão no rosto, nem nada...aí,quando acabava, descobria que era alguém do mesmo sexo, e aí como é que fica? Passamos anos falando sobre isso, desde a expedição onde eram 3 garotos e 3 moças, moças??? Ela se divertia muito com seu sotaque maroto, carioca e portenho e seus lindos olhos de bilhas azuis. Ou verdes? A musica soava mais baixo e a gente conseguia se ouvir. Rodávamos pelo salão de arquitetura do século passado e a pista encerada, propícia a bailarinos incautos como eu.
Quantas vezes você dançou por não saber perder ?...

Eu vejo tudo se repetindo, o futuro se repetindo, não sei, a minha relação como um redemoinho, circular, onde o fim parece o inicio, o precipício do fim, vejo seu rosto, sua pele branca, branca, branca aos 19 anos, os lábios sensuais, libidinosos...tantos telefonemas, naquela época eu podia telefonar o tempo todo, hoje não...Já tem cinco dias que não falo com ela, me sinto junkie telefônico em plena abstenção...Perolas para poucos, pensei. Eu me sentia o máximo falando sem parar no telefone, gesticulando e imaginando sua expressão atenta, libriano e oral como sou.
Quantas vezes você perdeu por não saber dançar?

A orquestra diminuiu o ritmo e o volume. A fila no bar era imensa, já não queria mais dançar, o álcool subia e me sentia leve e sem culpa, totalmente inocente de tantos pecados no passado, a arrogância herdada de alguns anos de poder... o álcool tinha essa propriedade, fazia me sentir poeta e bonito e sem culpa. Acabou o baile mas a minha sede não, um roadie me surpreendeu falando que o ônibus já partiria. Me despedi das três amigas prometendo e-mails e visitas mais freqüentes...aquelas coisas que a gente fala quando se despede, se despede mil vezes quando se está embriagado... mil beijos e saudades.
Entrei no ônibus, adormeci e acordei no Rio, em pleno baixo Gávea às 10 da manhã, de ressaca. O sol parecia um carrasco com chicote nos meus olhos, e eu ainda não comprei meus óculos escuros, quando você me encontrar não fale comigo, não olhe pra mim, eu posso chorar, meus olhos ficam vermelhos, irritados, eu ainda não comprei meus óculos escuros, então quando você me encontrar, não olhe pra mim, eu posso chorar, eu posso chorar...
Olhando pro Morro Dois Irmãos, indo pro Vidigal, pensei e sorri: vou ouvir a musica de mim mesmo, vou deixar a barba crescer, espalhar minhas roupas pela casa, usar minha calça vermelha de Flash Gordon, ( tudo que ela detesta), e desistir desse romance sarapa. Não vou hipotecar minha liberdade, e ficarei feliz, diante dessa ruptura sinto-me terrivelmente mais livre pra escrever o meu sonho de amor perfeito, ou quase...
Escreverei minha estória em papeis de pão, em guardanapos nos bares e esquecer tudo...

Todos os personagens são reais e escrevi tudo isso sob o impacto de Budapeste, de Chico Buarque.
Pra Lili, Pyva e Mel que eu amo e me escutaram. Tantas palavras. Tontas palavras.


Byra Dorneles é alcoólatra confesso e calafate desempregado mas quer sair do nicho.

Sunday, May 01, 2005

Katia Buterfly


KATIA BUTERFLY

Fervorosa. Buliçosa.Fogosa. Incêndio do meio dia. Katia Buterfly era assim, por onde passava ficava seu rastro, sua marca, seu cheiro de fêmea no cio. Cadela, quente. Incendio do meio-dia, despertando paixões em homens, mulheres, animais, crianças. Aliciando menores, um jato de sexismo.
Katia tinha um namorado, Kadu, eram os anos 80 e ainda se namorava. Kadu. Sambista de berço criado na Tijuca, subúrbio do Rio metido a zona sul. Kadu era bem relacionado com os compositores de samba da velha e nova guarda. Respeitado pela bandidagem , então começando a se organizar, os traficantes, os braços locais. Mas Katia, tiete profissa, borboleta professa, só tinha olhos pra uma pessoa, uma então iniciante atriz e cantora pop, nordestina, que foi chamada de Tina Turner do sertão, Elba Ramalho. Eram os nebulosos, confusos anos 80.
Katia era modelo, business girl talvez, nunca se provou , figurinha fácil no underground carioca, fazia pontas em curtas obscuros, filmes B, pornográficos talvez , que passavam em salas também obscuras, no circuito alternativo internacional. Tinha talento nato, brilho, falava com profusão de detalhes, mutante vocabulário, gesticulava muito, misturava frases em inglês, português e francês com desenvoltura de quem tinha intimidade com as línguas e os paises, apesar de nunca ter saído do Brasil. Esbanjava charme e sensualidade. Over, é claro! Mas sua obsessão era Elba.Em qualquer buraco que Elba se apresentasse, lá estava na primeira fila e subia no palco, sempre, no bis. Me lembro de um grande show de Elba no Teatro Ipanema, produzido por Carlos Sion, em que Katia chegou cedo, já estava no sound check e Elba fingia não vê-la, querendo não dar importância, mas no final era a própria Elba que sempre puxava Katia pro palco e dançavam frenéticas e esvoaçantes como duas garotinhas de mãos dadas.
Katia era quente, ardilosa. Incêndio do meio-dia. Volátil.
Katia dizia que era modelo, figura desfrutável, sempre disponível, distribuía flyers nas horas vagas ( naquela época se dizia panfletos), no então badalado baixo Leblon. Fazia teatro a domicilio, aniversários, lia poesias nas ruas, intervenções e invasões em bares, museus, barca da Cantareira, que naqueles anos ( odiosos e difíceis pra mim) eram chamados de “performances” e que em 2000 seria conhecido como “Slam”.
Katia usava drogas? Não posso afirmar, naquela época o ácido puro, brow sugar, era algo precioso que só tinha acesso alguns malucos remanescentes dos 70 ( viviam atordoados pelas ruas com um brilho louco nos olhos) e a cocaína que era o forte das festas não era muito barata.
Uma vez fizemos uma viagem lisérgica, eu, Katia e Kadu na Quinta da Boa Vista.Ela com um gravador cassete tocando uma única fita, de quem? Elba, claro! Ouvimos “Ave de Prata” umas cinco horas seguidas, decorei todas as letras. Foi uma viagem mágica, era lindo ver Katia se movimentando, seu corpo cheio de luz...O sol nos seus cabelos, quantos elementos amavam aquela mulher? Ela não cansava de repetir uma frase de uma canção da moda: “Toquem o meu coração e façam a revolução...” Kadu ria e recitava numa mistura insana Augusto dos Anjos e Rimbaud, que ela desconhecia, dizia preferir os brasucas Torquato Neto e Chacal, ‘necessários e sagrados’ :
eu sou como eu sou
vidente
e vivo tranquilamente
todas as horas do fim. “


Nessa época Elba fez uma uma turnê pelo nordeste, ficou um mês no Teatro do Parque em Recife. Katia pegou um ônibus e feito mariposa foi atrás da sua luz, sua deusa. Obviamente chegou na cidade sem um tostão, entrou pela porta de serviço do teatro, cheia de fotos, flyers, lambe-lambe, botons, e se instalou no teatro. Se escondeu nas coxias, entre refletores, cenários e todas aquelas tralhas que os produtores sempre esquecem nos teatros e ficou lá durante toda a temporada, (feito Patti Smith morando no cinema pra ver Mick Jagger, em Gimme Shelter) , conseguiu a cópia da chave do camarim e por lá dormia envolta nas roupas de Elba, embriagada e extasiada pelo perfume de sua musa.
Elba voltou e no seu primeiro show, no Canecão, nunca esqueci quando vi seu enorme nome na frente da casa, com letras garrafais, me lembrei quando fui roadie do Zé Ramalho e Elba fazia backing vocal na banda e ela dizia que um dia seria uma grande cantora e atuaria no Canecão...Fiquei ali um tempo olhando o cartaz e imaginando sua emoção, a força de uma mulher brilhante, vitoriosa, nas suas ações persecutórias pelo estrelato, ali, realizado. Eu me emocionei, mas não tive coragem de ir ao camarim falar com ela.
No final do show como sempre, no bis, aplausos, aplausos, a platéia em êxtase com o furacão Elba, ela chega na boca do palco com sua super banda regida pelo maestro Zé Américo, agradece ao público e puxa Katia da primeira fila...se abraçam, se beijam, pude ver as lágrimas que rolavam do rosto das duas, ali vitoriosas, agarradas, abraçadas, sob os refletores, o Canecão lotado, uma explosão de energia.
Se elas transavam, tinham um caso, nunca se soube, talvez tudo fosse inofensiva brincadeira, Kadu era condescente, Katia tinha amigos e amigos e há muito que ele fazia vista grossa pra tudo...Katia era pipa voada, bala perdida, nas sextas- feiras colocava duas calcinhas na bolsa e uma escova de dentes e Deus sabe pra onde ia, com quem dormia...
Business girl, talvez? Ninguém sabia. Sensualidade over, sim.Incêndio nos cabelos. Katia exalava um forte cheiro de flores, um cheiro todo seu, inconfundível que desorientava as pessoas.
Acabaram os anos 80 (ainda bem!), vieram os mornos anos 90 e eu sobrevivo no disfarce da minha poesia. Fui ano passado no aniversário de 40 anos do Kadu e falamos muito sobre Katia daí nasceu a idéia de escrever sobre ela. Ele disse que Katia vive hoje numa cidade no litoral do sul, balzaquiana reclusa ou quarentona precoce, ninguém sabe ao certo sua idade...Montou uma escola pra modelos, business girl talvez, meninas que queiram o estrelato fácil, aqueles 15 minutos de fama que Wharol previu e os realitys shows comprovaram, pontas na Globo, filmes B, ensaios fotográficos nus, paparazzos...
E kadu, decidiu finalmente gravar seu cd, pode-se encontrá-lo as terças e quintas num bar de Copa, reduto de samba. Ali, com a barba por fazer, alcoólatra confesso, dependente de barbitúricos, cheio de livros nos braços, ele recita e confunde sua própria vida com seus poetas, Augusto dos Anjos, Nelson Cavaquinho, Baudelaire, Cartola...Entre uma conversa e outra, sempre as mesmas frases, feito mantra: “Eu sou um outro...”
Elba Ramalho, todos sabem onde chegou, uma mega star. Em 96 co-produzi o espetáculo “Grandes Encontros”, com Elba, Alceu Valença, Geraldinho Azevedo e Zé Ramalho, uma idéia embrionária do Moraes Moreira, e numa turnê pelo Nordeste, ficávamos nos intervalos no camarim, eu, Elba e Zé e recordamos essas estórias em Caruaru, ela ria muito mas não se ateve ao assunto groupie Kátia...O Quarteto acabou, após gravar dois cds, com imenso público no Brasil devido a ciumeiras e outros lances não publicáveis. Era de se imaginar, num certo momento do show, Elba parecia uma rainha abelha e o caras apenas músicos coadjuvantes...parecia que apenas o Zé Ramalho gostava de gravitar em torno dela, de seu brilho, tanto que eles continuaram em duo no Rock In Rio.
Fica na minha cabeça uma frase que a Katia cantava sempre:
“Temos todo o tempo do mundo. Somos tão jovens.”
Será mesmo, Katia Buterfly?

Todos personagens são reais, apenas alguns trechos foram romanceados, dedico este conto ao Fausto Fawcett e Tavinho Paes.




OUÇA A PALAVRA ELÉTRICA VOL.1