Saturday, March 14, 2009

Day by Day .


São São Paulo | Day by Day, março 09.

Love is real, real is Love ( Lennon)

“ O caráter de um homem é seu demônio”



Liguei a Tv na virada do ano. Assistia há algumas horas e pensei: estou na minha própria língua, meu país, mas sou estrangeiro. Aqui e estrangeiro. Me sinto no direito de sonhar meu próprio pais como Henry Miller sonhou Paris que mexeu com toda uma geração.
A TV, as rádios, a mídia em geral não falam mais a língua que preciso, que sonho. Perdeu a conexão. A conformidade anêmica da Tv. Dos noticiários. Sou estrangeiro, exilado na minha própria rua, no bairro.

 A cidade de elite global cercada de terceiro mundo por todos os lados. Tudo o que a grande saúde dominante não quis saber. As musicas que escuto estão na contra-mao, nas rádios piratas, nas redes.
O que mais me entristece é o provincianismo (aliado as religiões, e pela mais vergonhosa tutela clerical) a matutice que impregnou todo o pais nesses últimos anos. Houve um tempo no final dos anos 80 em que eu acreditei que algo fosse acontecer, algo grandioso como previu Glauber Rocha. O Brasil não cresceu, pelo contrario, contraiu uma artrite prematura. Uma elite cercada de terceiro mundo por todos os lados. Os excluídos, os inempregáveis, os velhos, os deficientes mentais. Todos. Excluidos. A comunidade dos desiguais.

E eu não faço parte desse homem estatístico, cyber-zumbi, médio, consumidor ideal, esse gado cibernético que pasta nas previsões da TV. Não. Continuo com a idéia de sonhar meu país, insano sonho e talvez suicidario . Sonhar como Henry Miller e Neal Cassady. A minha realidade é um sonho que ainda terei.

Nos anos 80 as coisas estavam se tornando familiares demais... a minha criação e a minha vida controlável – estava acessivel e previsivel demais- e eu saquei que precisava me desorientar. Aí me tornei caçador de novo. Eu estava muito apaixonado e me habituara a ciumosa aflição dos olhos dela.
 ( Liege!) Havia negociado minha comodidade e meu conforto e então reli Nietzsche e Cortazar e joguei tudo pro alto.

Não tenho nada a ver com o futuro!

Estava finalizando esse texto e me deparo com a seguinte noticia na TV:

O arcebispo de Olinda após excomungar os pais e os médicos que fizeram o aborto na menina de 9 anos que foi violentada pelo padrasto, disse que o crime de estupro é menor que o aborto .
( obviamente não excomungou o tal padastro!) e que os médicos fizeram uma escolha de morte com essa ação!!!!

Como dizia Nelson Rodrigues, o Brasil será no futuro maior país não-católico do mundo. Eu sonho com esse dia, em que não tenham mais igrejas e nem religioes.

Sempre é bom re-lembrar o cara, Nietzsche:

“ o que me separa , o que me coloca à parte de todo o resto da humanidade é haver descoberto a moral cristã. Por isso tive a necessidade de fazer uso de uma palavra que mantivesse o sentido de um desafio a cada homem. Não ter aberto os olhos a mais cedo nesse ponto me parece ter sido a grande impureza que a humanidade carrega na consciência, como automistificaçao tornada instinto, como vontade radical de não enxergar nenhum acontecimento, nenhuma causalidade, nenhuma realidade, como falsificação in psychologicis que chega ao crime...a moral cristã- a forma mais maligna da vontade de mentira, a verdadeira Circe da humanidade: aquilo que a deteriorou....
....aquela espécie parasitária de homem, a do sacerdote, que través da moral elevou-se fraudulentamente à definidora dos valores, que na moral cristã divisou o seu meio de alcançar o poder...”

Esse texto é dedicado a Sheyla Castilho e Gisele Miranda  porque elas sabem ler.

Fortemente inspirado em Peter Pal Pelbert e Norman Mailer.




Saturday, February 07, 2009

Julia!


Júlia!
Criança Oceânica

Sonhei com uma musica dos Beatles, de nome Julia, que John Lennon escreveu pra sua mae, que o abandonou e ele foi então criado por sua tia, Mimi.
No sonho ele me traduzia a letra , e as palavras todas eram pra você, ele falava sobre taxis de papel, sorvetes de sonhos e olhar oceanico e lembrei de toda nossa conversa entre o Hotel Sheraton, Mirante até chegarmos no nosso destino usual, rotineiro, nosso quintal e playground, o Leblon.
Lembro de sua felicidade me perguntando que horas o ‘Hotel Marina acende?’, vc sabe da emoçao que sinto quando o hotel Marina acende...só vc sabe...
Sinto sua falta ( tambem da Clara!), das suas ligaçoes pelo interfone ao meio-dia, ‘tio Bibico vem almoçar, Tio Bibico vem tomar um suculento suco de maracujá que a minha fabulosa mãe fez..’.seu conceito claro de familia, sua felicidade me torna feliz, seu encantamento com a Clara! Basta ver uma das duas pra saber se a outra esta feliz!
Sinto sua falta, você, Julia, minha fiel tradutora, a primeira que fez a leitura de meus poemas com total atençao e intençao...quando nosso trabalho for reconhecido e vc for uma mulher fico pensando a felicidade que será você recitando minhas poesias, não mais me olhando nos olhos, me cobrando a certeza ferina das palavras ...’.nao quero ver aquilo que já sei de sobra, vc me pede pra ir ao ciNEma...’

Fico pensando em quantos passeios ate o Leblon ( sempre o Leblon)... e que não habitamos mais um lugar e sim a própria velocidade e que essa pressa poderia nos afastar, todas essas informações, mas não, nós não, sempre teremos a poesia nos chamando, nos tomando de assalto a qualquer hora e isso é que nos torna senhor de nosso passos....

Tudo isso, escrito assim dessa forma é pra te dizer o quanto te amo ( e tambem a Clara!) e que voces são a menina dos meus olhos, as princesas de meus movimentos e ações, tudo o que faço eu penso em voces e no imenso amor que nos circunda.
Se não entender o que escrevi peça pro Tio Miguel te explicar, se ele tambem não entender peça pra ele te ler quantas vezes for necessário ate que não precise mais se ler, ate que tudo o que escrevi se transforme em puro amor, pura luz: tudo pra voces duas, minhas princesas sem coroa, Julia Peticov e Clara Dorneles Peticov!
Bjs
Tio Bibiko.
Outuno de 2007 ( em prisão domiciliar/ São Paulo)

Monday, February 02, 2009

Day by day, Gothan Sampa


Day by Day,Gothan Sampa, maio de 08 ( Póstumo)

Fui dormir triste, estava tão frio que doía minha alma. Pensei em você e na sua cama, suas pernas. Sua casa de mármores tão brancos.branca.branca.
Agora estou só.
Ando triste feito canção do Radiohead. Subi e desci a Nazaré.Nao vou omitir que parei em frente a igreja.Sempre o exacerbado catolicismo ibérico me perseguindo.
Estou tão só que minha arrogância não deixa mais ninguém me amar e nem se aproximar de mim, ‘só falo comigo & comigo’.
Subi a Vergueiros em direçao ao metrô e o esgoto corria a céu aberto –a inferno aberto- as ruas como feridas no céu. Borges, sempre Borges nos ouvidos.
Os carros todos parados. Passamos mais tempo no transito do que em casa. A impossibilidade pratica de ser feliz com tantos automóveis. Eles invadiram a simples-cidade.
Essa cidade é um inferno, essa cidade é um inferno.
Ambientes áudio-confusos.Ambientes áudio-confusos.
O metrô lotado, me senti gado novo, nada admirável, sem charme, apesar de meu cachecol gringo.
Na volta os botecos lotados de gente triste e bêbada, tomando cachaça com suas miseráveis moedas.Me pergunto onde Deus está nessas horas.é uma pena que não exista mesmo um deus, eu ando a procura dele desde os 9 anos de idade.bebi também apesar do esgoto a céu aberto...precisava me conectar com aqueles perdedores e só o álcool conseguiria isso.Aqui é o fim do mundo.Os carros todos parados.Uma multidão parada na Sé enquanto o metrô seguia sem parar, lotado.
Lembro da sua casa e de suas escadas de mármore, o cheiro de roupa na mala. Zoinhos assim são mais belos que renda branca na sala.
Desci a Cipriano Barata no Ipiranga. Nos fones Dylan e uma frase de Marcuse, sobre ‘o termino do domínio do principio da realidade sobre nós’...sobre minha infelicidade, eu precisava estar nessa cidade? Essa cidade é um inferno. A minha saúde espiritual entre a luta desprazerosa e a felicidade, a raiva racional e o amor racional, como disse Jung.
Estar em movimento.
Saber e estar preparado pra aceitar o amor. Em mão dupla.


Ps: pra Liége que me forneceu as primeiras cobertas e agasalhos quando cheguei no inverno mais frio da década em SP.

Eu amo essa cidade!

Byra Dorneles
www.palavraeletrica.com

Thursday, December 18, 2008

BYRA DORNELES MORREU.


Byra Dorneles morreu.

Por Flavia Arantes.

“há algo de horrível na realidade mas não sei o que é. Ninguém me diz”

Ele chegava sempre as quintas-feiras na minha casa. Trazia geralmente uma garrafa de vinho,as vezes de marca, noutras,vinho barato ou ceveja preta-ele adorava cerveja preta. Com o passar do tempo eu também passei a gostar. Seus vícios,todos seus vícios se tornaram meus. Eu era o amor no reflexo dos seus olhos. Narciso refletido nas minhas taças de cristais. A esperança narcísica de um auto-encontro.
Chegava com a garrafa de baixo do braço,um brilho febril nos olhos. O assunto era desconexo a principio,eu tinha uma sensação de irrealidade, soava como alguém a beira do abismo. Mas era o tipo de loucura que colocava as coisas em movimento. Ele fazia isso em mim. Colocava as coisas em movimento. Sem os seus sonhos e delírios, viver serviria pra que¿
Falava de coisas grandes, amor, Focault, Kant...falava do tempo, sempre o tempo, que ele não estava apenas a frente e atrás mas também em outras direções...em perpetua colisão com o futuro.Me revelava com palavras duras e percepção perversa assuntos vencidos, coisas de família que não me interessava ali,naquele momento...falava e falava e falava e colocava musicas, as mesma musicas, tocava incansavelmente as mesmas musicas como se estivesse viciado nelas como uma droga. Em êxtase e desespero. Numa noite ouviu por horas a fio uma seleção de musicas que abria com Mr. Bojangles de Dylan e continuava com uma canção do filme Moulin Rouge com Tom Waits.

Ele chegava sempre as quintas, os cabelos desgrenhados, falando sem parar.... se perdia por ruas conhecidas.Ligava varias vezes, perdido, as vezes na esquina.
Falava de sua briga, seu conflito com deus, sempre deus, sua compulsão repetitiva.
Falava como se fosse seu próprio divulgador insano e apostolo.
Falava de Lennon com a intimidade dos mortais. Falava de Lennon e Arnaldo dos Mutantes como se eles estivessem ali, ao seu lado. As vezes era difícil acompanhar a velocidade de seu pensamento e as mil estórias que contava, ia de um assunto pro outro sem respirar, sem virgula, sem pontuação. Costumava brincar que falava como Kerouak escrevia -ou como Sartre e Saramago,naquela sintaxe em que a velocidade habitava, a velocidade era o seu tempo. Sartre descrevendo as ruas de sua Paris sitiada, na Idade das Razão, sempre no mesmo bar e no mesmo lugar. Assim como íamos pro bar do Almeida na Cardoso e sentávamos sempre no mesmo lugar. Sempre. A TV ligada e os assuntos eram sempre os mesmos, circulares, sua poesia, sua família, amores passados. E eu ali, coadjuvante do seu delírio, parceira de sua loucura, fui descobrindo aos poucos, que servia- na sua insanidade repetitiva e autista-como uma terapia. Mesmo que eu não ouvisse ele falava e falava e falava. As lembranças, suas próprias lembranças o tiranizavam, o passado sempre ali na mesa do bar. Uma urgência de falar e viver como se seus dias fossem um único dia.

Chegava sempre as quintas e num impulso logo ia pro quarto ver o sol se por. Ficava na janela lembrando das feiras-livres das terças, o sol ia desabando e esparramando cores e sombras pelo quarto. Ele gostava de experimentar minhas jaquetas orientais cheias de medalhas, citando Vapor Barato do Macalé...seus dedos cheios de anéis...Tinha manias estranhas ditadas pela solidão. Varava as noites no meu computador e escrevia silêncios. Dizia que a moral era a fraqueza do cérebro. Isso era discurso no bar do Almeida.

Foi inevitável eu não me contagiar com a excitação a sua volta, seu jeito, como ele mesmo dizia de ‘caçador à espreita do novo’...ele comentava que sua necessidade de escrever vinha de seu desajuste com a vida, que não conseguiria nunca resolver com acão, com atos, por isso escrevia, como bem disse Caio Fernando de Abreu.

Na sexta dia 19 de dezembro de 2008 ele morreu. Não senti tanto sua falta porque eu já sabia do fim próximo. Recolhi todos seus objetos, poucas coisas e fui pro bar do Almeida com meu I-pod e o som que ele tanto ouvia....sentei na mesma mesa de sempre, a TV ligada altíssima e lembrei de uma frase do Borges que ele citava:
“Se meu ouvido alcançasse todos rumores do mundo, eu perceberia seus passos”

Ps: Ao vê-lo inerte, no seu tumulo pedi que gravasse, na sua lapide, uma frase do Caio Fernando Abreu que condizia com toda nossa estória:

"Eu quis tanto ser a tua paz, quis tanto que você fosse o meu encontro. Quis tanto dar, tanto receber. Quis precisar, sem exigências. E sem solicitações, aceitar o que me era dado. Sem ir além, compreende? Não queria pedir mais do que você tinha, assim como eu não daria mais do que dispunha, por limitação humana. Mas o que tinha, era seu ."

Sunday, December 07, 2008

lembrar-me de esquecer-te


aos berros ele corria pela praça parobé
nao se sabia ao certo quem ele queria atingir
mas no topo vinha a sociedade civil higienizada
e a sua família, principalmente
os caras das ruas, que tomam conta dos carros e vendem bagulhos malhados
tentaram se intrometer
mas a questão era familiar e secular
e os caras que vendem bagulho sarapa nao tem moral nem valentia contra os insanos, os bebados loucos da praça parobé
minha covardia incompreensivel me impedia de entender o todo
tanta revolta espelhada e espalhada na minha cara
por fim, virei tudo aquilo que ele dizia mas nunca fui...
virei tudo aquilo que ele dizia, que ele queria que eu fosse
mas eu nunca fui:

vitima, objeto de irracionalismo
a fragmentaçao da família
ali, na praça parobé

e todos otarios metidos a malandros parados pensando no ataque na praça parobé
ele não sabia que homem algum chegou a ser realmente o que queria
ou então ser completamente ele mesmo
mas, ali na praça parobé aos gritos não era o local ideal pra se discutir isso
levando assim, consigo, atitudes de um mundo primitivo...
e foi principalmente por não querer gritar
as vezes grito no meu quarto porque não tenho radio e canto minhas canções
alguma coisa dentro de mim dizia algo sem palavras
por isso me calei deixando que a situação familiar
se abatesse mais uma vez sobre mim
espesso como um tijolo
ele não sabia que primeiro teria que se entender como homem, interpretar-se ( na praça parobé)
somente a si mesmo e assim depois entenderia uns & outros

obs: feito Kant anotei na minha agenda:
“lembrar-me de esquecer-te”

Pra Xico Sá porque mora na Consolaçao!


Ode & Amor a SP

entre gritos e ipiranga esgoto a céu aberto

na augusta e paulistas

os punks as putas os travas os emos
as anfetas as bolas balas todos os vicios e delicias

na consola a desolaçao, tantos rios pequenos

Esse cheiro de borracha queimada!!!
e esse cheiro de borracha queimada!!!!

o desespero das filas no roldão a perda da individualidade
a massa nas filas dos metrôs a previsibilidade das massas
a massa e à inércia passiva

a exclusao do amor o apito das fabricas
mutante cidade excitante cidade

ambientes áudio-confusos!
ambientes áudio-confusos!

a impossibilidade pratica de ser feliz com tantos automoveis
eles invadiram a simples-cidade

os proto-bandidos de quinta na Corifeu suburbia
o trafico acéfalo, sem comando, desorientado
o trafego desorientado

o q deus fazia antes de criar Sao Paulo?
O que deus fazia antes de criar São Paulo?

O QUE DEUS FAZIA ANTES DE CRIAR SÃO PAULO?

O QUE DEUS FAZIA ANTES DE CRIAR SÃO PAULO???

Monday, September 22, 2008

Day by Day

Guanabara, 20 de setembro de 2008.



Cheguei quinta-feira no Rio após três meses em São Paulo. Meu gato não me reconheceu, correu pra baixo da mesa, e se escondeu. O Vidigal ocupado por militares do exército, me deixou muito assustado. Só no dia seguinte percebi a realidade: era uma ação preventiva contra abusos eleitorais. Ao fazer meu passeio predileto e rotineiro ao super-mercado vi a alegria dos meninos-militares com máquinas fotográficas penduradas ao pescoço e olhando o charme das meninas.

A Guanabara se tornou um espelho mentiroso de seu destino, a cidade sitiada. Ainda temos a praia. Será? A barbárie se tornou rotineira e monótona aos olhos dos telejornais. O mundo é tudo o que a gente acha que é.
Fui até Ipanema nos Estudios Alberto's na tentativa de gravar algumas vozes e esboçar o projeto pra nossa próxima apresentação, Freak Out em São Paulo. Falei mais tempo do que devia mas a felicidade das minhas netas era puramente o reflexo dos meus olhos, as meninas dos meus olhos.
Ligamos um microfone na cozinha, fizemos um pré-ensaio e coloquei-as pra gritarem:

A CERTEZA DA CERTEZA FAZ O LOUCO GRITAR
A CERTEZA DA CERTEZA FAZ O LOUCO GRITAR
GRITAR GRITAR GRITAR!!!
Boomp3.com

Foi mágico, prazeroso... ouvir depois as vozes editadas. Ouvindo tudo e tentando entender a frase, pensei como a filosofia pretende eliminar todas obscuridades e trocá-las pela clareza enganadora e ambígua do senso comum:

GRITAR GRITA GRITAR!!!!

O futuro:

Tomei uma decisão radical no início da semana e me preparo pro próximo passo. Em 30 dias preciso estar preparado com todas essas mudanças. A poesia aflora, a literatura, a literatura:
Com todos seus segredos e meus olhos percorrendo todos livros mundos da subterrânea
Com a avidez de um lobo louco.....

Eu sempre soube o que quis, desde os 9 anos de idade. Não posso lutar contra o homem que sou Eu. Como disse um antigo escritor, todo homem deve acatar aquele que traz consigo. Meu destino é de lobo e não de cachorro gregário, que vive em bando. O medo estava me tomando e me entristecendo, assim disse meu bichinho bonito.

Inesgotáveis repetições. Não posso ser um turista, um expectador disso tudo que me circunda. Sou um caçador a espreita do Novo. E é isso que me move entre a Paulista e a Rua Nova, no Vidigal. Me recuso a ser vitima da condição humana, não vou vitimizar minha estória, como disse Lester Bang.

Ps: meu amigo, quando você mentiu?
Quando disse que me amava
Ou quando disse que não?
Qual parte do NÃO eu não entendi...
Como disse Marx, os filósofos interpretaram o mundo, mas o que me importa mesmo é transformá-lo.


Byra Dorneles, 53, vive entre o Rio e São Paulo, porque não quer chorar.


(Byra Dorneles e Gerson King Combo,o lendário soul man no Canequinho Café-rj)

Friday, April 18, 2008

CARLOS CASTANEDA, UM FEITICEIRO?



" Um grito sufocado anuncia a morte, por suicídio, da ciencia do seculo vinte "
Aldous Huxley


A primeira vez que ouvi falar de Carlos Casteneda foi na Revista Rolling Stone, na coluna do Luiz Carlos Maciel. Eu devia ter pouco mais de 15 anos. Era início dos anos 70 e o seu primeiro livro “ A Erva do Diabo” estava causando polêmicas imensas no mundo todo.
Sem nacionalidade precisa, conforme D. Juan, “ pois um homem de conhecimento não tem país, não tem nome, nem família, nem dignidade - isto é, não tem nada que possa sustentar um centro falso, o ego, que cristalize as suas experiências “.
No livro da Carmina Fort de 88, ele assume que é brasileiro e foi criado na Argentina, apesar de toda imprensa ter publicado que era peruano, mas segundo a escritora , ele falava português fluentemente com um pouco de sotaque.
Sua saga com o índio-bruxo D. Juan Matus, mestre da ironia, se inicia quando ele, estudante de antropologia, procura informações sobre mescalina e o peiote no deserto do Arizona para um trabalho acadêmico.
Ele descobre que o velho índio yaqui morava em Sonora, no México e vai a sua procura.
A partir de 1960 até 1973 - D. Juan se torna seu mestre na arte de “ver”, “parar o mundo”, “perder a importância pessoal”, “não estar acessível”, a “impecabilidade” e outras técnicas basicamente de cunho social que estão no seu terceiro livro “ Viagem a Ixtlan”.
Publicou diversos livros e seus ensinamentos sobre feitiçaria e alteração dos sentidos através de drogas, foram lenha na fogueira no meio dos anos 60, no auge do movimento hippie, pós beats.
Super criticado e (desacreditado) pelo stablishment e cultuado pelos jovens, independente da apologia às drogas de D. Juan - ferramentas ou aliados - como ele chama - o seu legado maior está na conduta diária de um feiticeiro, um homem de conhecimento, não um aprendiz de meio-expediente:
“parar o diálogo interno”, que vem a ser o mesmo que fazem os budistas, meditar, “ver”, e, a “ loucura controlada”.
Após uma matéria na Time em (73) que deixou fotografar apenas suas mãos, ele seguiu à risca o ensinamento do bruxo D.Juan, que um guerreiro não pode estar disponível, apagou sua história pessoal e ficou cada vez mais difícil encontrá-lo, pois até sua identidade foi trocada.
Seus últimos relatos estão no livro Conversando com Carlos Castaneda, escrito em 1988, de Carmina Fort.

“ Desconfio de todas as pessoas com sistema e as evito. A vontade de sistema é uma falta de lealdade”. ( Nietzche)

Livros mais importante de Castaneda:
1- A Erva do Diabo
2- Estranha Realidade
3- Viagem a Ixtlan ( recomendo ser a primeira leitura)
4- Porta para o Infinito
5- O Fogo Interior
6- O Presente da Águia
7- O Segundo Circulo do Poder

Byra Dorneles, 52, auto-didata, faz experiências com alucinógenos desde os 15 anos e passa bem.

Site para dowload de seus livros:
http://ayakamanakam.blogspot.com

Wednesday, March 12, 2008

Bob Dylan,uma árvore de lugar nenhum.


Bob Dylan,uma árvore de lugar nenhum.

" Todo espaço mal utilizado
será tomado".
Foi o que Dylan fez com a música folk no final dos anos 50 e início dos 60. Tomou o espaço devido. Não que ele fosse mal ocupado, Joan Baez ainda nao fazia canções de ativismo,e nem era porta-voz dos direitos civis,já Woody Guthrie falava sobre bandidos, foras-da-lei, espeluncas de danças.
Dylan veio com um discurso atual, up-to-date,tudo que lia nos jornais e na extensa biblioteca na casa de Dave Van Ronk.

Uma de suas primeiras canções ( Let Me Die In My Footsteps) falava sobre abrigos anti-radiação na época da Guerra Fria e como os cidadãos de Minnesota reagiram contrários a sua instalação, o que causaria constrangimentos e até hostilidade com os vizinhos que não comprassem o tal abrigo.
Ele juntou música e poesia, algo que Ginsberg e outros beats tentaram:
...eu nao tinha nenhum daqueles sonhos ou pensamentos, mas ia adquiri-los...

A música pop nunca mais seria a mesma após janeiro de 61. Dylan se encantou com os acordes e as guitarras rock'n'roll dos Beatles e eles, por sua vez, se inspiraram com as mensagens tortuosas e fragmentárias do outro.Foram aplicados por Bobby com quem fumaram seu primeiro baseado mudando suas letras até então colegiais.Enquanto Dylan eletrificou o folk e foi crucificado no Festival de Newport em 66, os Fab Four seguiam um caminho mais acústico e com letras mais elaboradas. Na canção You've Got To Hide Your Love é bandeirosa a imitaçao que Lennon faz de Bob tanto no vocal como na acentuação do violão Dylanesco.
A visão de Dylan se tornou um norte, uma bússola pra toda música pós 62, referência messiânica para toda a geração que fundou a nação Woodstock e todos os sonhos.
"você não precisa de um meteorologista pra saber pra onde o vento sopra"

Como disse Clinton Heylin( no livro Sgt Pepper's) “ Bob Dylan nao parecia ocupar um ponto de virada no espaço e tempo cultural, mas ser esse ponto de virada.”

Re-inventor de si mesmo por décadas, dissipando o próprio mito quando gravava Oh Mercy com o produtor Daniel Lanois no final dos anos 80, Bob escreveu:
" O tipo de música que eu e Danny estávamos fazendo era arcaica. Não disse isso a ele, mas era como eu me sentia honestamente. Com Ice-T e Public Enemy, que estavam preparando o caminho, um novo artista estava fadado a aparecer diferente de Presley. Ele não iria requebrar os quadris e encarar as mocinhas..."

Em 92, na comemoraçao dos 30 anos de carreira, o BobFest, como Neil Young batizou (no Madison Square Garden) após ter suas musicas cantadas por toda a constelação pop, como Clapton, Stevie Wonder,George Harrison, Lou Reed, Neil Young, Willie Nelson, Lou Reed, Eddie Vedder entre outros, ele subiu sozinho no palco, com seu violão e homenageou Woody Guthrie. O homenageado com seu mantra: onde quer que eu vá, sou um trovador dos anos 60.

" a maioria dos outros artistas tentava conseguir aceitação para si mesmos em vez de para a canção , mas eu não me interessava em fazer isso. Comigo, a coisa era fazer a canção ser aceita..."

Em sua passagem rápida pelo Brasil, agora, em março,a Never Ending Tour, a turne sem fim- que veio aqui tres vezes- deixou rastros de polêmica como sempre porque seus hits não eram reconhecidos devido as mudanças de harmonias e ao fato de cada vez mais falar as letras. Mas nenhuma ação seria imprópria ali no seu palco. Bobby riu muito, muito, durante sua apresentaçao em São Paulo, como se estivesse com seus músicos numa Jam session em casa. Neil Young também foi assim no Rock In Rio 3, com sua formação de palco pequena, intimista, mas isso, já é outra estória.

Como sua avó lhe ensinou:
a felicidade não esta na estrada que leva a algum lugar
a felicidade é a própria estrada


Pra ouvir com o som no volume máximo e gritar seu refrão como me ensinou minha " girl do sul do país ", MR BOJANGLES!!!

Veja Mr. Bojangles aqui:

http://www.youtube.com/watch?v=AjCFYpWDmfM


São Paulo, Brazil
Via Funchal
Set List, Sp-March 6, 2008

1. Rainy Day Women #12 & 35 (Bob on electric guitar)
2. Lay, Lady, Lay (Bob on electric guitar)
3. I'll Be Your Baby Tonight (Bob on electric guitar)
4. Love Sick (Bob on keyboard)
5. Rollin' And Tumblin' (Bob on keyboard)
6. Spirit On The Water (Bob on keyboard)
7. A Hard Rain's A-Gonna Fall (Bob on keyboard)
8. Honest With Me (Bob on keyboard)
9. Workingman's Blues #2 (Bob on keyboard)
10. Highway 61 Revisited (Bob on keyboard)
11. When The Deal Goes Down (Bob on keyboard)
12. Tangled Up In Blue (Bob on keyboard)
13. Ain't Talkin' (Bob on keyboard)
14. Summer Days (Bob on keyboard)
15. Like A Rolling Stone (Bob on keyboard)

(encore)
16. Thunder On The Mountain (Bob on keyboard)
17. Blowin' In The Wind (Bob on keyboard)

Monday, September 10, 2007


o sol nasceu e eu nem vi
Venus me rege e eu nem me toco
mais dias ( programas de Tv) passam
e nao me apercebo
apenas desfolho mais uma revista
ligo a tv
ou escuto uma nova cançao dizendo
TUDO
que eu ja sabia...

porto alegre, maio de 75.

Wednesday, September 05, 2007

Aguazinha ou Maria Farinha



(pra Katyenne porque me ensinou a re-escrever)

se eu combinar um passeio contigo à tarde
andar a pé de Maria Farinha até Pau Amarelo
eu sei que voce vem
de blusa preta indiana esvoaçante
os cabelos soltos
ligará uma cinco vezes
trocará o local marcado
mas eu sei que voce vem:
com os olhos brilhando de tanto amor

se eu combinar contigo um encontro
no final da tarde
pra vermos o por do sol no baixo Pina
eu sei que voce vem
de botas pretas militar
com roupas masculinas
os cabelos presos por um lenço
ligará umas cinco vezes
me cobrará pactos
fará milhoes de juras
e virá
como sempre
com os olhos brilhando de tanto amor
eu sei disso
porque na realidade
eles sao o reflexo dos meus...

Pau Amarelo, março de 96

Saturday, September 01, 2007



NINGUÉM NO CARNAVAL
( Pra Erasmo Carlos, porque ele sabe...)

Olhei pela janela, era carnaval
Gritei o seu nome, você não ouviu
Porque era carnaval?
Fui prá janela e não vi a Portela
Empurra que pega no Leblon
Vem ni mim que sou facinha
Cordão do Bola Preta
Não
Não era carnaval dentro de mim
Te procurei em todas as vielas
Em todos os becos
Sites e sítios
Te procurei em toda a favela
NADA
Era carnaval prá você, será?
Eu não via NINGUÉM no carnaval
NINGUÉM
No meu peito era só Stones e Yeah, Yeah, Yeahs
Fico pensando o que faço só prá ter você
Os versos que já fiz, todos POEMASMUNDO prá ti
Tanto DRUMOND nos ouvidos
Mas era carnaval, porra!
Você não nota a minha existência
SERÁ PORQUE ERA CARNAVAL?
Ou foi desde sempre assim?
Não
Não era carnaval, no meu peito não
Tira esse samba do meu peito, tira!
A semana inteira fiquei esperando por você
Não quero mais rimar as palavras com desespero
Não quero fazer de tua ausência o meu abismo!
Desliga essa bateria, porra!
... esquece não pensa mais...


http://www.youtube.com/watch?v=DHYrYib8Y44

karminha ( Do por do sol nos olhos, do nascer no rosto do sol...


prussiana karminha



Cara karminha
Lábios de carmim
Vermelho como o querubim
Minha cara, cara karminha
Cara, carinha-rosto-
-de cara.
Prussiana karminha
Do por do sol nos olhos
Do nascer no rosto do sol
Russa de teatro-magico ou louco
Cara cara, karminha
Do saber mais novo de todos nós
Da firmeza mais firme de falar pra nós
A tua aura é de fogo (agora)
As tuas indecisões são as nossas respostas
Respostas pra esse nascer do sol
ou
Morrer da noite
Agora...

paZtor ( Bambui, julho 74)


LINKS:
http://www.jornaldepoesia.jor.br/

No Youtube:
http://www.youtube.com/watch?v=DHYrYib8Y44
http://www.myspace.com/freakoutmuzik

Friday, August 31, 2007

ESTRATUAGEM ( paZtor Sugar)


ESTRATUAGEM



(pro paZtor Sugar(foto)- porque ele lia muito esse trecho)


A estrada é minha fixação, minha via respiratória.
Meu Édipo realizado.
Nela sou incêndio. Terremoto/diluvio/ventania.
Sou os quatro elementos em convulsão simultânea.
Minhas garras brilham.
Minha cabeça explode.
Meu sangue corre limpo e perfumado ( na estrada)
Longe da sífilis de concreto.
Faço da pele escamas e garfos (faço) de minhas mãos
Tenho a cor da liberdade
...em estado de graça de riso de sol e nascer do dia
Tenho a paixão das águias
E a transparência das gaivotas ( ao entardecer)
Não pare na ida, não pare na volta
Solte os laços, solte os cintos
Solte o vôo e nós seremos os ciganos
Da rota do Norte.

De Joel Macedo, novembro de 71 ( Livro Tatuagem)

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Wednesday, August 29, 2007


Na quinta só pelo fato de saber que te veria à noite
Acordei feliz
Hoje sei que não
E amanha também
O frisson e o tremor no meu corpo
Me fizeram bem
Aquele homem in-di-vi-si-vel
Se partiu
(Mas ainda não estilhaçou)
Por te conhecer:
Hoje choro menos
E me sinto livre pra te amar
Porque teu olhar me liberta
Tua bandeira
Tua cara tua aura
Me fazem sentir vivo vivo vivo vivo vivo vivo vivo vivo
Tranquilamente...

Boomp3.com

Friday, August 24, 2007


NECESSIDADE E EXPRESSÃO
+ NECESSIDADE DE COMUNICAÇÃO
+ NECESSIDADE DE AÇÃO
+ NECESSIDADE DE PRAZER
= BELAS ARTES.

Mario de Andrade, 1924



Drummond

Com a língua portuguesa eu descobri o mundo
Acordei a princesa
Acendi a chama que ardia dentro de mim
Carlos Drummond de Andrade
Das andadas
Me indicou o caminho do meio
Da rua
O jeito de rebolar
De sacudir as ancas
De acabar com toda essa ansiedade
De fechar os olhos prá essa realidade
Que estão querendo nos vender, nos vencer
Mas luto
Escrevo no papel
Foi Luiz Carlos Maciel quem me aplicou
Juntamente com todo lirismo e beleza
Da língua portuguesa...

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Wednesday, August 22, 2007


Ela me fez mil juras, promessas
Me fará perder o medo do escuro
Me ensinará a dançar
Passeios no zoológico
Me absolveria de todos os pecados
O dia amanhecia
E ela me prometia
Me querer mesmo de mentira
Passar a procuração de todos os seus atos
Beijaria meus olhos enquanto eu dormia
Assim me enfeitiçaria
Me querendo mesmo de mentira
Ela me fez mil juras
Promessas

( Pra Miwky)

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